quarta-feira, 18 de março de 2009

Costumes

Da série "Saco-Cheio"

Episódio Quarto.

Jantando.
Ela: Você já reparou que é meio machista às vezes?
Ele: Admira-me o "às vezes". Quem não é machista na nossa sociedade? A gente nasce machista. Eu tenho atitude machistas, você tem atitudes machistas, até minha mãe tem.
Ela: Que a gente é machista eu sei! A questão é como lidar com esse machismo imbricado em nossas mentes desde quando nascemos.
Ele: É... Para uma mulher você até que articula bem as palavras.

Ouvindo "I've Heard That Song Before" com Harry James and His Orchestra e Helen Forrest.

sábado, 7 de março de 2009

Épicos/Líricos

Numa dessas resoluções de fim de ano -dessas em que prometemos não fazer mais essas resoluções- prometi a mim mesmo que leria nesse verão um livro que não falasse sobre identidades nacionais, conjunturas históricas e discussões acadêmicas intermináveis.
Uma vergonha ser somente um livro, admito, pois o verão é longo e uns cinco livros seriam ótimos, mas deixemos para o próximo verão ou quem sabe um simpático inverno.
Peguei (emprestado) um daqueles títulos do gênero "comecei a ler aos 15, mas parei pra ler Harry Potter". Mentira!
Parei porque não havia entendido nada e achava que já podia ler coisa de gente grande. Foi assim com "Mrs. Dalloway" da Virginia Woolf.
Aliás, não foi, ainda é.
A Sra. Woolf e Nicole Kidman que me perdoem, mas os nós que "Mrs. Dalloway" dá em minha cabeça nem se comparam com os que ganho quando vejo um desses filmes experimentais franceses da década de sessenta.
Enfim... Um dia eu termino esse livro! Enquanto isso ele fica lá brilhando na minha estante impressionando certas mocinhas que passam por ela.
"Nossa! Você lê Virginia Woolf?"
Ao que respondo:
"Alguém tem que tentar entender a alma feminina, não? Aliás, você conhece esse título aqui?" largando a taça de vinho e tirando um livro da estante.
"Ah! Simone de Beauvoir é tudo!"
E vocês já sabem como termina...

De qualquer modo, o livro que me acompanhou nesses dias quentes de verão (sou aqui generoso com esse clima que levou minha caixa craniana quase que às rachaduras) foi esse o qual libero um trecho que muito me chamou a atenção.





"A Insustentável Leveza do Ser" de Milan Kundera.
(Fujam da tradução da Companhia das Letras)

Há um filme também. Mas quem me emprestou o livro diz que fiz bem lê-lo antes de vê-lo. Vamos ao filme então.

Abraços!

PS: Ainda na Woolf... O erro foi ter visto "As Horas" antes talvez...

quarta-feira, 4 de março de 2009

Medos particulares

Ainda na série: "Saco-cheio"

Episódio terceiro


Na cama. Depois da transa.
Ela: Você já broxou?
Ele: Não...
Ela: Que mentira!
Ele: Sério! Mas me admira não ter broxado ainda, sou muito encanado com isso e fico pensando em várias coisas na hora...
Ela: Você é bem encanado mesmo...
Ele: Muito!
Silêncio.
Ela: Você fica pensando em várias coisas enquanto transa comigo?
Ele: Vou pegar um copo d'água, quer um?

Ouvindo "Sorrow" com David Bowie, um dos meus heróis...

domingo, 1 de março de 2009

Orgasmos

Da série: "Saco-cheio"

Episódio segundo


Na farmácia. Comprando camisinhas.
Ele: Então, venho desenvolvendo uma técnica pra que a gente sempre goze ao mesmo tempo.
Ela: Que bom... (silêncio) Mas como assim? (indignada) Com quem você anda desenvolvendo isso?
Ele: Comigo mesmo oras. Masturbação.
Ela: E vai funcionar?
Ele: Vem funcionando comigo mesmo que é uma beleza.

Ouvindo "Hello Dolly!" com Louis Armstrong.