segunda-feira, 27 de abril de 2009

Obssessivos Transtornos

Da série Saco-cheio, que parece não ter fim, é incrível!

Episódio Quinto

No banheiro dela, abrindo a portinha do espelho.
Ele: Nossa! Quantos anti-depressivos!
Ela: É... Não fossem eles eu teria todos os meus trinta e seis TOCs.
Ele: E tomando esses remédios, quantos TOCs você tem?
Ela: Só três.
Ele: Você conta seus TOCs?
Ela: É... Um dos meus TOCs é esse...


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Intima noite ou Dúvidas




Seguiam os beijos, os carinhos, a respiração forte na cama que lhes cabia, mas que podia ser maior.
Intimidades são construídas. Podem ser quebradas logo no primeiro encontro com algumas palavras como também podem ser descobertas depois de alguns anos de contato. O casal, mesmo depois de várias transas pode ainda não se considerar totalmente íntimo. E é talvez essa intimidade que facilita certos caminhos, certos objetivos, enfim, que os deixa mais livres para falarem e fazerem o que bem entenderem sem se preocupar com a reação do outro.
A falta de intimidade castra, retrai e em certos casos destrói. A mesma em excesso pode afetar certos casais.
Quando se fala de intimidade, estamos longe de discutir fatores fisiológicos: ir no banheiro depois da transa e ouvir o inevitável barulho daquilo que sabemos bem o que é não sinaliza intimidade, e sim conhecimento de algo que todos fazem, e se não o fizessem teriam sérios problemas.
Falar de intimidade em termos psicológicos é mais complicado, pois depende da relação que cada um estabeleceu desde o primeiro instante em que se viram. E essa relação pode ser tanto de duelo de egos como de submissão, ou ambos bem mascarados. Há outras possibilidades e é inevitável dizer que não importa há quanto tempo você perdeu sua virgindade, uma nova pessoa é sempre uma nova pessoa e com essa sempre haverá uma primeira vez e por mais íntimos que pareçamos, as coisas podem não caminhar para os melhores, aliás, os mais prazerosos resultados.
Os beijos seguiam bem. Mãos aqui, alí. Tudo em ordem. parecia que aquela noite seria uma das melhores.
"Espera! Espera!" disse ela se afastando com uma mão, se sentando na cama e fechando a blusa com a outra.
"O que foi?" disse ele desconcertado "Fiz alguma coisa errada?"
"Não! Não! Você está ótimo! É só que..." hesitou.
"O quê?" perguntou, e logo o arrependimento tomou conta. Não gostava de insistir no errado, mas sempre o fazia.
"É que... Você chega aqui de repente, e a gente se conhece faz tempo, e você traz esse vinho..." foi dizendo sem pensar muito.
"Sim, dai a gente se beija, a coisa começa a esquentar e já sabemos o resultado... Se não fosse assim não teriamos chegado até aqui e não estaríamos assim" disse ele abaixando a blusa dela e beijando-a no ombro.
"Eu sei, e você tramou pra que tudo fosse assim." disse fechando os olhos
"Vai dizer que você não percebeu?" subindo para o pescoço.
"E você trouxe esse vinho, esse filme" apontando para as taças quase vazias e a TV desligada.
"E você adorou!" já na ponta da orelha.
"Mas você não acha que estamos indo rápido demais?" afastou-se.
Ele pensou seriamente no que responder naquela hora. Ela saíra tão rápido de seus braços que, pelo vinho, ele quase perdeu o equilíbrio. Pensou e disse:
"Eu diria até muito devagar!" e parou por aí. Não mais recorreria a artifícios físicos. Sem beijos no pescoço ou carinhos na nuca. Partiria para as palavras, mas sabia que ali talvez não teria tanto sucesso.
"Nós somos amigos, não somos?" perguntou ela.
"Ora, somos. Mas isso não impede..."
"Impede sim..." parou e depois continuou "Por que das últimas vezes que nos vimos nós acabamos nos beijando?"
"Porque rolou um clima, eu dei encima de você, você topou..."
"Está bem, eu sei... Mas nós costumávamos nos confidenciar, lembra?"
"Sim, mas isso quando éramos adolescentes, e já tínhamos inclusive ficado naquela época" disse ele com tons de ironia que beiravam certa irritação.
"Mas eram outros tempos! Você mudou! Eu mudei!" disse ela no seu melhor tom blasé.
"Mesmo assim ainda nos confidenciamos. Mesmo quando nos beijamos. Hoje mesmo,não colocamos em dia nosso casos? Não falamos de nossos empregos e falamos mal de outras pessoas? Até trocamos um ou outro segredo!" disse ele se sentando perto dela.
"É..." baixou a cabeça "Eu sei..."
"Então?" pôs o clássico dedo no queixo dela "Podemos continuar?"
"Naquele dia... A gente já não se via tinha um tempão e saímos juntos, lembra?" disse ela.
"Sei... O que tem?" disse ele tentando esconder a impaciência.
"A gente conversou bastante e você me beijou de surpresa na despedida."
"Aham..." ele se lembrava bem.
"Naquele dia parecia que estávamos ressucitando uma coisa do passado"
"E estávamos... Só que não era a mesma coisa. Você mesmo disse que a gente mudou, não é?" argumentou ele.
"Sim! Sim! Mas depois a gente ficou de novo, e foi cada vez menos confidências e cada vez mais beijos." queixou-se e remendou "Não que não goste dos beijos, não é isso!"
"Mas o que estávamos fazendo há pouco?" irritou-se ele.
"Você não vai entender."
Ele esperava ser mais compreensivo. Aliás, quando essa conversa havia começado ele já pensava em ter a atitude mais compreensível possível, afinal eles eram amigos e ele gostava muito dela. Não tinha porque brigar.
"E você acha que se a gente transar, a porcaria da nossa amizade vai pelos ares?" disse ele jogando sua compreensão na lixeira mais próxima.
"Não precisa tornar tudo isso vulgar"
"Não me venha falar de vulgaridades, mocinha! O que você achou? Que a gente ia transar e eu não ia olhar mais na sua cara? Ou pior, que eu iria me apaixonar? Daí você iria me perder porque nada pior que um amigo apaixonado... Deus do céu! Nós não somos mais adolescentes!"
"Como você pode ser tão egocêntrico e egoísta?" queixou-se ela.
"Egocên...?" mas parou, porque ela tinha razão. E constrangiu-se.
Afinal, não era necessário o escândalo e talvez ele dissera mais do que devia.
"Desculpe..." disse ele. Como odiava se desculpar "Eu não..."
"Tudo bem" disse ela com olhar sincero que o irritava mais que tudo.
Quando estava com ela não conseguia mentir sem ser sincero e sempre dizia coisas que não devia, já ela esbanjava sinceridade e tudo que dizia era fato, deixando-o fraco por não ter entrelinhas para decifrar, coisa que adorava fazer. Logo, se ela não queria, era melhor não insistir, para não tornar as coisas mais constrangedoras do que já estavam.
Se eram tão íntimos nas palavras, trocando casos, besteiras, talvez não o seriam na cama, e era isso, talvez, que ela mais temia, mas ele não entendia.
"Quer dormir aqui? Já está tarde." disse ela.
"Não! É melhor não... Você me conhece e eu não vou conseguir parar, ainda mais depois de todo esse vinho" e deu o último gole esvaziando a taça.
"Dorme! Não tem problema... Eu tenho uma corda em algum lugar e deixo você amarrado no sofá da sala até a hora de você ir trabalhar."
Os dois riram.
Já na porta, ele já do lado de fora.
"Então está certo... A gente se fala!" disse ele.
"Com certeza!" disse ela segurando a porta.
E ficou aquele silêncio.
O beijo que se seguiu não foi demorado, tampouco breve. Ele enconstou as duas mãos no rosto dela, levou-as para a nuca e os lábios se encontraram. Viraram contra a parede e a mão dele dançava pelo corpo dela que no começo tentava pará-las mas depois desistiu, entregando-se ao beijo que não sabia bem onde daria. Como num reverso, descolaram-se da parede, as mãos saíram do corpo, foram para a nuca e voltaram para o rosto, sendo os lábios os últimos a se desencontrar.
Virou as costas e foi embora.
Nos corpos ficaram os cheiros e nas almas a dúvida: daquela que só aparece quando o alívio se mescla ao arrependimento. E acaba nos conformando.

Ouvindo "Close to Me" do The Cure.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Alter Nativos

Série Saco-cheio

Prólogo

Amassos iniciais na rua. Pausa para conversa.
Ele: E essas meninas com bolsa da Amélie Poulain?
Ela: O que tem elas?
Ele: Muito "olhem como sou alternativa e delicada o mesmo tempo!"
Ela: Você não gosta de Amélie Poulain?
Ele: Nada contra! Não gosto dessa necessidade de ser diferente.
Ela: Como você é chato! Deixe as pessoas serem felizes!
Ele: Hum... Aposto que você tem uma bolsa da Amélie ou de algum desses filmes.
Ela: Que nada! Eu faço minhas próprias bolsas.


Hoje não estou ouvindo nada.

Em breve libero o manual de "como ser um bom cult e fazer amigos legais na augusta".

Saudades de ficar escrevendo aqui, mas o cotidiano me pegou em cheio e roubou meu precioso tempo.