terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mais um

Desde que começaram as férias, fico empurrando com a barriga a hora de arrumar meu quarto. Recolocar os livros no lugar, ajeitar as roupas, mudar os móveis de canto e jogar aquela papelada fora. Devo ter deixado estrategicamente pra hoje justamente porque é meu aniversário.
Acordei de um sono preguiçoso. Ninguém em casa. Já na cama, pensei "Putz! É hoje...".
Não ligo pro fato de estar ficando velho, afinal ainda sou muito novo pra isso. Vou começar a pensar seriamente nisso quando acordar em algum dia 28 de dezembro com uma dor terrível nas costas, sei lá, mas por enquanto ainda dá tempo de dizer que sou jovem e tenho de aproveitar.
Não que eu não ache que já deveria ter completado muitas coisas para a idade que tenho, mas vez ou outra bate a voz do "Calma! Ainda dá tempo!"
Enfim, tirei o dia para arrumar essas coisas e é claro, encontrei coisas que estavam guardadas no fundo da gaveta. Coisas passadas, mas que trazem sentimentos renovados.
Poeira assoprada, livros organizados (preciso de uma estante nova), DVDs separados e as cartas devolvidas ao fundo do armário e das caixas, encontro a famigerada lista de resoluções para 2010 que julguei perdida.
Não fiz muito, mas fiz algumas das coisas.
Engraçado como essa sensação de fim de ano vem pra mim em dobro! E o mais engraçado é que a depressão só bateu alguns dias atrás. Agora estou até que bem! Achei que ia escrever um post bonito cheio de reflexões para a vida, mas não... Só isso aqui!
Devo estar ficando velho!
Não farei um balanço do ano que passou nem promessas pro novo ano.
Lembro-me que teve algumas reviravoltas sentimentais que talvez vão ficar pra vida, mas isso não posso garantir. Prometo a mim mesmo que ano que vem vou tentar me dedicar mais aos quadrinhos. Fazer um curso de desenho, sei lá (essa era umas das resoluções pra 2010).

De qualaquer modo, essa noite vou sair pra beber com amigos e no fundo a gente sabe que é com eles que a gente pode sempre contar.
Rir, contar piadas, abraçar e esquecer por alguns minutos que tem um mundo terrível me esperando nesse mais um ano de vida. Mas ele há de ser bom, eu sei...

Ouvindo Oasis com "Don't Look Back In Anger"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A vida é cheia...









Ouvindo "Elephant Gun" com Beirut.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Validades

O casal estava abraçado na cama de solteiro. Tinham acabado de acordar e curtiam os momentos que precediam o dia. Ele disse ainda de olhos fechados:
"As coisas podiam ser assim pra sempre."
Ela concordou balançando levemente a cabeça virando-se para ele. Olhos abertos, começou a passar a mão nos cabelos dele.
"Por que você vai então?" ela arriscou.
"Não quero discutir isso de novo." ele reclamou.
"Desculpe..." ela disse, mas continuou "É que... Você não precisa ir agora, precisa?"
"Já está tudo acertado! Não posso perder essa oportunidade! Já falamos disso antes. Você mesmo concordou."
"Eu sei... Mas é que cada vez que a gente se vê parece que é uma vez menos e ao mesmo tempo que isso deixa as coisas intensas, também deixa tudo mais triste."
"Mas pense bem..." ele apoiou a cabeça no braço "E se as coisas só estão ficando mais intensas porque a gente sabe que vai acabar?"
"Não sei... Pode ser, mas tem o fato de a gente se gostar também, não?" ela indagou.
"Sim! Claro!" ele a beijou "Mas até antes de eu tomar minha decisão, as coisas andavam um tanto mornas, lembra?"
"Tudo bem, mas fazia tempo que estávamos juntos..."
"E agora não faz?" ele perguntou rindo.
"Faz, mas é diferente..." ela deitou no peito dele "Agora eu sei que vou te perder..."
Os dois se calaram. A garganta apertava. Ele quebrou o silêncio:
"Quando eu voltar, a gente se resolve!"
"Não!" ela virou para ele de novo "Eu te conheço! Não vai ser a mesma coisa! Você vai ter novas experiências e eu também! Estaremos em outra sintonia..."
"Pode ser..." ele parou para pensar "E só saberemos quando acontecer, certo?"
"É..." e virou de costas para esconder o choro, no entanto a voz entregou "Não é fácil viver as coisas com data de validade..."
"A ideia de manter até o último minuto foi sua!" ele protestou.
"E você topou!" ela defendeu.
"Porque gosto de você!"
O silêncio não era absoluto. Algum carro passava na rua, um pássaro piava e outros respodiam, o gato brincava na sala com uma embalagem e o dia ia ganhando o quarto. Ele falou:
"Já tivemos essa conversa antes e não resolvemos nada."
"Não se resolve o que já está resolvido, não é?" ela disse.
"É..." ele disse dando-lhe um beijo na nuca.
Em breve, dariam seu último beijo.

Ouvindo "Expiration Date" com Pomplamoose.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

E se?


Ouvindo "They can't take that away from me" com Ella e Louis.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Coisas que só podem te acontecer se estiver solteiro...
















Daquelas que saem no post-it...

Amanhã, se o Photoshop aparecer, posto uma menos sem vergonha.

Ouvindo "Walk of Life" com Dire Straits.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quando a vida imita a arte...

Qual é aquela sensação de medo de altura?
Vertigem? 
Sim. Aquela quando a gente olha para baixo de um lugar bem alto e é tão alto que a gente fica tonto. A gente sabe que está lá seguro no parapeito, mas sente uma coisa estranha que parece que vão nos empurrar ou vai bater um vento forte e o fim será certo. Dizem que tem a ver com os ouvidos e a falta de equilíbrio, mas não sei. Como no filme "Um Corpo Que Cai" (Vertigo) de Hitchcock em que ele faz uns efeitos loucos com a câmera e o cenário para dar a mesma impressão de vertigem à platéia nos idos finais dos anos cinquenta. A mesma impressão que tem o personagem principal interpretado pelo bonitão James Stewart, um detetive que sofre de vertigem (vertigo do nome original) depois de quase cair de um prédio numa perseguição, e que desde então passa mal até pra subir num banquinho.
Talvez a vertigem que o assola não seja só a de altura, mas também da impossibilidade de resolver o caso que atravessa o filme e que só vai se resolver nos minutos finais com uma cena inesquecível, algo comum do diretor que é especialista em cenas marcantes.
E quem nunca sentiu essa vertigem na vida antes? Aquela sensação de que não tem nada em frente e ficamos meio tontos com tudo isso. A sensação de que não há resolução para nosso caso. De que não tem mais ninguém no mundo que nos entenda e que todos aqueles que nos entendiam estão ocupados demais ou distantes demais. E a vertigem que dá é a sensação de impotência. De não poder fazer nada a não ser esperar e ver no que dá.
E o mais engraçado (ou trágico?) é o mesmo sentimento que nos assola quando nos sentimos assim, em vertigem. É a fala do "levanta! vai viver a vida!" contra a fala do "tá bom! já vou! mas me deixa aqui um pouquinho comigo mesmo! Me deixa com meu choro calado e minhas mandingas que hão de me curar!"
Esperar é mais racional que querer respostas imediatas. A racionalidade pode machucar às vezes, mas pense na não-correpondência de um sentimento puro. A que pode levar? 
Na realidade, tal ato leva à espera, uma vez que o sentimento puro é tão sublime que sucumbe à espera e se mostra tão racional quanto ele mesmo. O problema da espera é a vertigem.
Não saber onde vai dar é o que torna as coisas tristes ou bonitas?
Meus vinte e poucos anos ainda não sabem me responder. E nem querem.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O fim

Finalizando a série Saco-cheio.

Descontraídos num café.
Ele: Por que não conseguimos esquecer o primeiro amor?
Ela: Não sei... Eles marcam todos nós.
Ele: Pena que os nossos não coincidiram, não?
Ela: É... Uma pena...
E foram cada um para seu lado.

Ouvindo João Gilberto e Stan Getz com "É Preciso Perdoar"

domingo, 31 de outubro de 2010

Quando um não quer...

Da série "Saco-cheio"

Episódio décimo.

Ao telefone.
Ela: Não sei se vai dar pra nos vermos essa noite.
Ele: Por que não, meu anjo?
Ela: Vou sair com minhas amigas.
Ele: Ah! Não tem problema!
Ela: Que bom!
Ele: Vou sair com as minhas também...

Ouvindo Louis com "Someday (You'll Be Sorry)"

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quando qualquer coisa vira motivo...

  
Não estava afim de entrar no "debate", mas estava com saudades de desenhar e nada melhor que as eleições como pretexto.
Aliás, tirem as crianças da sala, o próximo debate será na Record no dia 25/10 (segunda-feira) às 23h.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Nem sempre

Tinham ido numa festa. Eram colegas de internet. Um amigo em comum, troca de contatos, e voilá, os dois marcaram de se encontrar numa festa da faculdade. Já fazia tempo que conversavam pelo mundo virtual e dificilmente se viam na vida real. A festa foi a deixa.
Beberam, conversaram, cada um viu os amigos do outro, curtiram o show da banda e num momento discreto, ele a ofereceu um gole da sua cerveja, ela bebeu, os dois se entreolharam e o inevitável aconteceu.
Beijaram-se por um bom tempo. A noite inteira ao que parece. No final, um casal de amigos dela deu uma carona para ele. No banco de trás, ele insistia para que ela dormisse em sua casa, mas ela dizia que ficaria na casa da amiga. 
Encontraram-se uma semana depois na faculdade. Eram de cursos diferentes, mas se cruzaram naquele dia. Ela com um vestido preto desenhado pelo anjo divino da tentação. Conversaram bastante e não tocaram no assunto da festa. Nem sequer se beijaram. Despediram-se e foi cada um para um lado.
E não mais se viram.

Ouvindo "Never There" com Cake.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sobre sonhos e máscaras

Saiu do elevador e não percebeu a faixa de proteção da polícia num canto do andar. Estava atrasado e foi direto para seu computador sem ver a mancha de sangue na parede. Sentou-se à mesa, ligou o computador e ficou olhando seu reflexo na tela enquanto a máquina fazia seus habituais ronronares de um novo dia. Arrumou um pouco o cabelo, encostou na poltrona e viu um recado deixado por ele mesmo ao lado da tela. Levantou de um susto com aquele sentimento que temos quando lembramos de fazer uma coisa, mas já é muito tarde e não há meios de voltar atrás.
"Jantar quinta com ela às 8h!" dizia o bilhete.
"Cacete!" ele pensou. Era sexta!
Pegou o telefone e tentou disfarçar a voz de desespero com uma tranquilidade que o surpreendeu dado o desespero vindo do outro lado.
"Você me deu um baita susto!" ela dizia quase chorando.
"Desculpe!" não pensou que ela ficaria tão abalada.
"Não aparece ontem e de repente essas notícias na TV! E seu celular desligado!" ela continuava.
O celular! Sempre esquecia de carregar a bateria. Deixava para fazer no trabalho, porém nesse dia esquecera o tal do carregador.
"Desculpe de novo! Ontem foi uma loucura aqui e... Você disse notícias?"
"É... Está em todos os canais! Sua empresa, a polícia, o funcionário, tudo!" ela demosntrava mais calma.
Ele olhou em volta e percebeu a movimentação atípica. Tudo bem que era sexta-feira, podia ir trabalhar de jeans e camiseta, mas entre roupas leves e uma mancha de sangue na parede há uma grande distância.
"Posso te ligar mais tarde?" ele disse e desligou sem nem esperar ela responder.
Estava atônito. Via a mancha na parede, a faixa policial, algumas funcionárias chorando, outros as consolando, policiais interrogando algumas pessoas.
Sem tirar os olhos da mancha rubra espirrada na parede, foi andando até a máquina de café onde um grupo de pessoas se reuniam. Encontrou um colega, ou pelo menos parecia.
"Afinal, o que aconteceu?" ele perguntou para um funcionário mais velho de bigode.
"Ué? Não sabe? O Almeida!" disse o homem de bigode.
"O Almeida do Planejamento?" espantou-se.
"Pois é..." disse o bigodudo com ares de quem sabia mais que todo mundo.
Não gostava de não saber o que se passava. O Almeida era um cara comum. Sempre o via passando pelos corredores entre as baias. Sempre correndo e sempre tomando bronca do chefe, mas parecia um cara legal. Conversaram por uma ou duas vezes junto à máquina de café e até simpatizara com o Almeida. Era daquelas pessoas com a qual você vira melhor amigo num dia e no outro você descobre que todo o assunto que vocês tinham se resumiu àquele café. Fato muito comum em relacionamentos que acreditam na sobrevivência eterna, mas duram algumas semanas apenas rendendo-se a frases manjadas de poetas e músicos, porém guardados com carinho (ou ódio) no interior. O Almeida era um exemplo de alguém que ficara em sua lembrança com aquele ar de "que cara bacana esse Almeida!"
"Entrou aqui" continuou o homem de bigode que começava a soar irritante, mas parecia o único disposto a falar o que tinha acontecido "engatilhou uma arma e começou a atirar!"
"Deus do céu!" ele dizia realmente espantado. Pela primeira vez, aquelas coisas que ele via no noticiário passavam tão perto.
"Alguém...? Bem, você sabe!" perguntou cautelosamente.
"Meu rapaz, aquilo ali parece molho de tomate para você?" apontou para a mancha que ele já havia parado de olhar já tinha um tempo.
"Meu Deus..." disse sem acreditar.
"Ele acertou umas pessoas de raspão. A Marta do RH, o Flávio das Cotações, mas quem se deu mal mesmo foi o Braga!" contava com a maior naturalidade enquanto mexia no café com uma palhetinha de plástico.
"O chefe do Almeida?" perguntou.
"Você teve sorte de não ver o corpo!" disse dando um gole do café e voltando a mexer na palhetinha.
"Minha nossa... Isso é horrível!" dizia se sentindo mal e quase implorando para que o bigodudo parasse com aquele pedaço de plástico.
"Você deu sorte de chegar atrasado!" disse.
Como ele sabia que estava atrasado?
"Não viu o corpo! Essa obra contemporânea na parede ai é obra do Braga!" dizia aquele bigode irritante.
Voltou chocado para seu cubículo. Não queria mais ouvir. Pelo menos não daquele homem.
Sentou na frente do computador e entrou no primeiro portal de notícias que pensou. A manchete num canto da página "Funcionário de empresa mata um, fere dois e depois se mata"
Parecia que o Almeida havia se jogado da janela, explicando o trânsito infernal nos arredores. Pegou o telefone.
"Oi!" ele disse.
"Você tá maluco? Desliga sem avisar! Pensei que tivesse outro louco ai dentro!" ela dizia, mais nervosa do que desesperada.
"Estou bem, mas só fiquei sabendo agora! Cheguei atrasado!" ele disse.
"Sorte a sua! Você está bem? Algum amigo seu? Você conhecia o..." ela não sabia o nome.
"O Braga... Não... Só de cumprimentar..." ele refletiu e pensou se realmente conhecia alguém naquela empresa. Pessoas rasas, com objetivos tão pequenos e aceitando tudo como era. Divertindo-se com qualquer coisa que mudasse a rotina de suas vidas, nem que pra isso fossem necessários dois corpos e uma obra inspirada em Jackson Pollock na parede.
"O Almeida..." ele disse.
"O louco?" ela interrompeu.
"Bem... O Almeida... Era um cara legal." pensou nas conversas que haviam tido no café.
"Um dia vou sair daqui! Pegar um barco e viajar pela costa do país! Você deveria fazer o mesmo!" dizia um Almeida sonhador.
"Não gosto de velejar..." dizia ele que na verdade achava que estibordo, comissário de bordo e um patinho de borracha faziam parte do mesmo grupo de objetos.
"O segredo é ter um projeto paralelo disso aqui!" o Almeida continuava "Ir fazendo! Se não a gente elouquece!" e voltava para a sala do Braga onde tomaria outra bronca.
Pensou nos olhos tristes do colega e suas palavras que martelavam em sua cabeça.
"Ele era um cara legal..." dizia com a voz já embargada.
"Está tudo bem? Não sabia que vocês eram amigos! Desculpe..." ela dizia do outro lado sem entender muito bem.
"Tudo bem..." ele se continha "Não éramos muito íntimos...Vamos almoçar hoje? Estou te devendo!" ele precisava de pessoas.
"Sim, claro! Hoje tem aquela macarronada com frango que você gosta no restaurante perto do museu!" ela dizia contente.
"Não sei... Acho que prefiro ir no vegetariano hoje..."

Ouvindo "Under Pressure" com Queen e David Bowie.


PS: Recomendo o filme "Foi Apenas Um Sonho" do Sam Mendes.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cardiopatia

Da série "Saco-cheio"

No cardiologista.
Ele: Mas doutora, é uma dor que é no fundo.
Ela (doutora): Não é nada! O exame pelo menos não acusou nada.
Ele: Nem um soprinho, doutora?
Ela: Nada! Seu coração está ótimo!
Ele (cabisbaixo): Mas dói mesmo assim... Muito!
Ela: O seu problema não é no coração, você sabe!
Ele: Preferia que fôsse... Assim não sofria tanto!
Ela: Você tem é que esquecer essa uma que aperta seu coração...
Ele: Se fôsse uma só eu tirava de letra, doutora!

Ouvindo "Just Ain't Gonna Work Out" com Mayer Hawthorne, 
que é muito bom aliás!



Abraços,

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Grande e pequena trama

Em alguns filmes, a pequena (e principal) trama é acompanhada por uma grande trama que não é a principal, mas geralmente é, em algum ponto, definitiva para a história contada. Por vezes, a grande trama é só um contexto como uma guerra civil, um acontecimento histórico, determinada crise ou mesmo um incidente fictício mas que serve como pano de fundo para aquilo que as personagens vivem.
"Casablanca" e a segunda guerra, "Machuca" e o golpe no Chile, "Adeus, Lênin!" e a queda do muro de Berlim e assim vai.
O interessante é que em determinados filmes, aquilo que acontece com as personagens entra em sintonia com a grande trama, ou seja, o desfecho da grande trama pode ser a deixa para que a pequena trama também se resolva. Dai fico imaginando se não estou vivendo um filme nesse momento da minha vida e o pano de fundo são as eleições... Se rolar segundo turno, eu saberei que a história terá mais um mês para se desenrolar e independente de quem ganhe, eu realmente espero que não saia perdendo nessa minha pequena trama.
A menos que perder comece a dar bilheteria.

E que tenhamos todos uma boa semana!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A longa duração [Prólogo]

Antes que o professor pudesse se despedir, quase todos os alunos correram até a porta se espremendo no vão para encontrar um suspiro de liberdade. Apagou a lousa calmamente enquanto pensava nas suas obrigações para a semana até que foi interrompido por uma assistente:
"Professor, tem uma mãe querendo falar com o senhor."
"Pode deixar ela entrar." disse ele despreocupado. Era comum mães irem atrás dos professores para saberem como andava o desempenho dos filhos.
"Com licença!" disse a mãe entrando na sala. Ele quase deu um pulo ao vê-la na porta de sua classe. Os anos de mãe a haviam envelhecido, mas ela ainda continuava com aquele ar sério que enganava certa superioridade e arrogância.
Ela sorriu e logo disse "Eu precisava conferir se era você mesmo! Meu filho fala muito de você e quando disse seu nome, eu não quis acreditar."
"Meus Deus! Faz quanto tempo? Dez anos, doze anos?" ele sabia que fazia treze.
"Acho que por ai..." disse ela que também sabia o número exato.
"Pois é... Eu também desconfiei quando vi o sobrenome dele na lista, mas achei que fosse mera coincidência." ele disse sorrindo levemente.
"Que coisa! Todo esse tempo e a gente vem se encontrar logo aqui numa escola!" ela dizia com gestos contidos.
"É... E numa posição bem mais delicada! Eu posso reprovar o seu filho, você sabe..." brincou.
Ela sorriu e o abraçou "Quanto tempo!"
"Pois é..." meio sem jeito, ele retribuiu o abraço.
"Bom, enfim, como ele está? Bem?"
"Bem... Levando em conta que ele não puxou a mãe..."
"Deixe disso!" ela disse batendo levemente em seu ombro.
O clima era leve, mas ela parecia estranhamente feliz em vê-lo.
"Falando sério, não tenho problemas com ele." ele falou ainda num tom descontraído, mas passando seriedade.
"Fico feliz..." disse ela sorrindo.
Ficaram os dois se olhando e antes que pudessem pensar no que já sentiam ela soltou "Bom, ele está me esperando no carro! Preciso ir..."
"Sim, claro! Vá lá! Apareça mais na escola... Vamos tomar um café dia desses para colocar o papo em dia!"
"Claro... " ela disse sorrindo andando de costas e saiu pela porta sem saber se havia respondido sincera ou automaticamente.
"Claro..." ele sussurrou para si mesmo.
"Com certeza..." ela disse para si mesma no corredor.
Era estranho, mas ambos voltaram a sentir coisas há muito escondidas. Boas e ruins, mas que no curto prazo, eram prazerosas pois traziam de volta certos ares da juventude. Ares que com o tempo foram ficando viciados e sufocaram-se.
Ainda sorrindo, ele escostou na mesa e ficou pensando nas peças que a vida pode nos pregas vez ou outra.

Ouvindo "Je te veux" composta por Erik Satie.

domingo, 12 de setembro de 2010

Lavando roupa suja...










Ouvindo o grande Louis com Hello, Dolly!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre fichas

São necessários algumas horas, dias e às vezes meses para se entender algo. Não importa o tempo que leva, a sensação de que a ficha caiu é sempre confortante, mesmo que por um tempo a gente pense "mas por que não caiu antes?"
No entanto, a angústia do não-feito nem se compara à alegria do finalmente feito e, vamos ser sinceros, pior mesmo era a angústia de ainda não ter entendido e ficar vivendo os dias se martirizando, vendo as horas se arrastando sem fim. E fora que a angústia é parte do processo de caimento da ficha, ou não?
Passei os últimos dias em busca de uma resposta custando a entender que só o tempo me mostraria a mesma, mas cá estou eu de ficha caída e tocando a vida do jeito que der.
Uma sensação boa e que deve ser aproveitada enquanto viaja pela minha mente.

Cada dia encaro a vida de um jeito! Talvez a depressão tome conta do próximo post, mas espero que não!

Por essa noite é só...

Vi essa propaganda barata, mas gostei da música que se chama "Always a Woman" do Billy Joel:

domingo, 29 de agosto de 2010

Nesse buraco

Sabemos que nossa vida não é um filme, mas por vezes queremos que as coisas aconteçam no ritmo de um. A espera de uma resposta, que um filme nos conforta com uma breve passagem de tempo com uma música triste que dura dois minutinhos, na vida real esses minutinhos são horas e por vezes dias. Há também a possibilidade de a resposta nunca vir e essa sensação (essa possibilidade de ela nunca vir) é o que dói mais.
E dai esquecemos, damos valor a outras coisas, vamos a outros lugares, começamos e levar nossas vidas conformados com a não-resposta e de repente a resposta, ou mesmo o contato, vem. Aparece de repente! E aquele sentimento que estava reservado somente a momentos distraídos em que nosso coração invadia o cérebro enchendo-o de angústia torna-se algo constante que nos persegue o dia inteiro. E nos faz pensar naquilo a todo momento e mesmo quando tentamos dormir, a coisa aparece nos sonhos. E se for um sonho bom, ficamos deprimidos pois a realidade passou longe daquilo. E se foi um sonho ruim, ficamos ainda mais angustiados imaginando que aquele sonho possa ser realidade.
E as pessoas perguntam "Está tudo bem?" e a gente responde um sim doído entregando facilmente a mentira e assim esperamos que a pessoa com quem falamos nos dê um conselho ou mesmo um ombro amigo. Nem sempre acontece!

Fato é que esses dias quentes e secos têm me deprimido e tenho a ligeira impressão de que o ano está acabando e pouco do que  tinha me proposto eu consegui fazer e das coisas que efetivamente fiz, tenho medo de tê-las feito de modo errado com consequências irreversíveis. Mas para saber se foi certo ou errado, não poderei contar com uma musiquinha triste de dois minutinhos.

Ouvindo Cat Power com "In This Hole"

Chargezinha que fiz num post-it quando queria me esconder de todo mundo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Liniers: Coisas que te passam se está vivo

Ano passado, acho que passeando pelo blog do Adão ou do Laerte, encontrei o link de um cartunista argentino chamado Ricardo Liniers. Comecei e ler suas tiras e me surpreendi com a leveza e inteligência das tais.
Sempre gostei de quadrinhos! Quando era pequeno, minha mãe me comprava os do Senninha e os da Turma da Mônica eu lia do meu amigo que assinava ou só ganhava os almanacões de férias porque íamos viajar e minha mãe precisava ocupar minha cabeça com alguma coisa para que eu não ficasse perguntando o tempo todo sobre as coisas da vida. O problema do almanacão é que os quadros das histórias eram também agigantados e eu ficava puto com as muitas páginas de passatempo que tinham. Eu lá queria saber de passatempo, seu Maurício? Eu queria as histórias em quadrinhos, do tamanho normal mesmo, só que naquele livrão.
Uma pena! Eu acabava tudo em um dia e ficava perguntando aos meus pais o motivo das coisas, inclusive o porquê daquele almanacão ser tão caro e grande e não condizer com as expectativas. Não com essas palavras, é claro, mas eu lembro de pensar sobre isso.
Dai eu fui crescendo.
Quando tinha doze anos, fui tirar meu primeiro RG e lá no Poupatempo da Sé tinha uma gibiteca para a galera ficar lendo gibis enquanto esperava pelos documentos. Estava com minha irmã e ao invés de ela me trazer um da mônica ou do próprio Senninha, ela me trouxe um do Star Wars. Eu achei um máximo! Li os quatro volumes que tinham lá e ficava me perguntando por que não fizeram filmes daquela história.
No colégio, um amigo me emprestou o V de Vingança! Acho que o filme estava para estrear e eu fiquei fascinado pelo fato de como boas histórias (sérias e adultas) podiam ser contadas através dos quadrinhos.
Dai fui atrás de outras histórias, sem nunca esquecer as tiras do jornal todas as manhãs.
E no começo desse ano, dou de cara na Folha com ninguém menos que o Liniers, aquele cartunista argentino do começo do post! Primeiro achei que suas tiras só iriam aparecer aos sábados ou domingos, mas não! Lá estava ele todos os dias! Fiquei feliz da vida, pois agora não precisva me desdobrar no espanhol para entender as piadas.
As tiras publicadas são da série Macanudo que fala sobre tudo de um jeito sutil e comovente. Por vezes ácido, cheio de humor negro e às vezes tiras que fazem a gente pensar na vida.
Nem sempre é preciso uma grande história para se passar uma boa mensagem. Bastam três ou quatro quadrinhos e um pouco de tinta. Por isso vou me matricular em algum curso de desenho e dedicar minha vida inteiramente aos quadrinhos!
Ok, nem tanto! Mas vou tentar uns rabiscos por ai...

Acho que é isso por hoje!

Ouvindo Beatles com "She's Leaving Home"

PS: As tiras do Liniers são originalmente publicadas no La Nación! Já saíram em português dois volumes da tiras Macanudo aqui no Brasil! Tento ler uma página por dia, mas é impossível! Sempre acabo em uma semana! Esperando os próximos volumes...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Coisa de menina

Estavam as duas amigas num bar bebendo suco. Conversavam sobre tudo. Uma era mais velha e passava a falsa impressão de experiência, mas a mais nova sabia que tudo não passava de máscara. Ela mesmo preferia ser como era: sem máscaras, sincera e por vezes até inocente.
"Inocente até demais!" falava a amiga mais velha.
"O que eu posso fazer? Eu sou assim..." ela respondia.
"Deus do céu! Você precisa falar tudo parecendo que está choramingando?" reclamou a mais velha.
"Ah... Eu sou assim..." choramingou.
"Não é à tôa que você é cheia de problemas com homens."
"Eu não sou cheia de problemas. Tive alguns aqui, outros ali, mas nada grave."
"O quê? Um namoro de anos vai por água abaixo por causa de um latin lover qualquer e você diz que isso não é grave?" protestou a mais velha.
"Bem..." ponderou a mais nova.
"E depois que você largou tudo por causa dele, ele vem com um papinho de que tem muito amor pra dar e que só você não seria suficiente! Por favor!"
"Ele pelo menos foi sincero!" argumentou.
"Ele foi um cachorro! Isso que ele foi!"
"Ah... Tudo bem, mas pelo menos agora eu me sinto mais livre. Eu estava pra casar, lembra? E não estava feliz... Você já foi casada! Sabe como é..."
A mais velha deu um gole do suco "É... Pelo menos você se livrou dessa..."
As duas riram.
A mesa tremeu acusando o celular de uma das duas que recebia uma mensagem.
"É o meu!" disse a mais nova "É ele!"
"O rapaz do cinema?" interessou-se a mais velha.
"É..." leu a mensagem "Está perguntando se estou livre!"
"Como um passarinho! Vá lá, eu vou encontrar as meninas..." disse pegando a bolsa pronta para pagar a conta.
"Eu não sei..." ponderou a mais nova "Não sei se quero..."
"Não sabe se quer? Como assim? Você falou coisas ótimas dele! De como beija bem, é simpático, inteligente, seguro e tudo mais!"
"Sim! Ele é tudo isso, mas não sei! Falta algo..." ela hesitou, pensou no que dizia e soltou ainda comedida "Tipo... Sei lá! Eu achei que ele fosse diferente, mas de uma hora para outra ele fica desesperado querendo me ver, como se... Você entende..."
"Como se quisesse ir pra cama como você a todo custo?" completou sabiamente a mais velha.
"Isso! Isso mesmo..." disse a mais nova animada "E sei lá! Não quero ficar com o cara só por isso... E também não achei que ele fosse querer tão cedo! Parece coisa de macho! Pegar a fêmea a qualquer custo e depois largar num canto, sabe?"
"Eu sei! Sei bem... Que mulher não sabe?" disse a mais velha que depois continuou "Mas você não pode esperar de um homem nada mais que um homem."
"Continue..." pediu a mais nova intrigada.
"Ele pode ser o cara mais amável do mundo, mas não vai deixar de querer transar com você só porque te sugeriu um ou dois livros pra ler ou uma ou outra canção pra ouvir!"
"Eu sei..." disse a mais nova pensativa "Mas eu prefiro que as coisas aconteçam mais suavemente! Não porque tem de acontecer, sabe? Só porque ficamos umas vezes, agora vem a vez do sexo! Você sabe como sou pra essas coisas! Gosto de ser tratada com carinho, de receber elogios, de continuar abraçada no outro dia..."
"Desse jeito você nunca vai conseguir transar com ninguém!" brincou a mais velha.
"Não seja boba!" reclamou choramingando.
"Lá vem você choramingar!" prostestou "Converse com ele! Se ele for tudo isso que você está falando mesmo, vai entender! E vai se segurar... O termômetro é o humor! Se ele ficar puto demais, é porque está se sentindo rejeitado, então não vale a pena! Esse precisa de um papinho com nosso amigo Édipo! Devia ter uma mãe que não negava nada."
"Humor! Freud! Tá legal, vai falando..." interessou-se.
"Eu devia escrever um livro sobre isso." vangloriou-se a mais velha e continuou enquanto a mais nova olhava interessada "Agora se ele ficar muito calmo! Extrema e estranhamente calmo e disser que prefere não te ver mais é porque ele está bancando o difícil! Não precisa cair no joguinho dele! Se você disser que prefere assim, ele pode ficar puto e dai voltamos para o primeiro caso! Se continuar calmo, tudo bem! Ele não vai te encher por uns dias, mas depois vai ligar chamando pra sair! Se estiver afim, vai fundo, mas você sabe muito bem o que ele vai propor depois da saidinha."
"É eu imagino!" disse a mais nova anotando mentalmente
"Cuidado com esses muito calmos também! São esses que aparecem no noticiário de vez em quando!" alertou a mais velha.
"Ok, entendi! Não creio que ele seja um psicopata, mas é bom ficar alerta."
"Sempre bom!" reforçou.
"Mas... E se nenhuma dessas duas coisas acontecer? E se ele for naturalmente compreensivo? E se for sincero?"
"Bem... Vai de você perceber! O cara ficar puto não é falta de sinceridade."
"É... Tem razão!"
Ela olhou para o celular, as pessoas em volta, a amiga mais velha que tão conhecedora dos homens, sempre tinha tantos problemas com eles.
"Vou responder deixando pruma próxima! Ele vai entender..."
"Assim esperamos..." disse a mais velha "Meu suco acabou! O seu também, vou te pagar uma cerveja!"
E ficaram mais um tempo no bar conversando.

Ouvindo "Difícil" com nossa querida Marina Lima que tanta gente injustamente desgosta.

Continua em "Coisa de menino"

terça-feira, 13 de julho de 2010

O monstro

Eles estavam voltando duma festa. Ele dirigindo e ela com aquele sorriso de canto que o irritava. Só se ouvia o barulho do motor e dos carros lá fora, mas foi ele quem quebrou o silêncio.
"Parece que você gostou da festa, não?"
Ela saiu do transe que mantinha o canto dos seus lábios levemente levantados.
"Gostei sim, você não?"
"Não gostei daquele cara flertando com você o tempo todo! Parecia que eu nem estava lá..."
"Não seja bobo! Ele é meu amigo, você sabe!" ela rebateu.
"Amigos não despem as pessoas com os olhos..." reclamou ele sem tirar os olhos do caminho. Preferia discutir enquanto fazia alguma coisa
"É... Talvez ele estivesse flertando comigo mesmo." ela cogitou.
"Então você admite?" ele se espantou.
"O que você quer que eu faça? Ele até disse umas coisas bonitas... Falou do meu cabelo, do meu vestido..." o sorriso dela ia voltando e ele se irritava "Coisa que faz tempo você não faz..."
O silêncio voltara. Ele pensava na melhor resposta, mas ela se adiantou.
"Não pense que eu não vi você conversando com aquela garota na cozinha!"
"O quê? Eu só a ajudei com umas caixas de cerveja e só! Você sempre querendo nos deixar quites!"
"Por favor! Pode me ajudar com essas caixas? Elas são muito pesadas e você é um cara tão simpático, pode me ajudar?" ela fazia uma voz irritante.
"É! E foi só isso!" ele argumentou.
"E depois tomou uma cerveja com ela! Cheio de risinhos." ela rebateu.
"É mesmo? Em que momento você percebeu isso? Na hora em que o cara despretensiosamente encostava na sua mão ou quando ele mentalmente baixava uma alça do seu vestido?" ele se irritou. Olhos na estrada.
"Não seja ridículo! Vocês ficaram um tempão na cozinha! Cheios de risadinhas..."
"Conversamos mesmo! Ela era simpática! Estuda cinema, gosta de comida japonesa..."
"É inteligente, mas nem tanto! Insegura e indefesa! Do jeito que você adora!" ela quase o nocaoteou.
"Você sabe que isso não é verdade!" ele respondeu.
"Não? Você adora esse tipo de garota!" ela começou a imitar "Olá, rapaz simpático e inteligente, poderia me ajudar com essas caixas? Eu estou tão insegura! Não sei se conseguirei colocá-las no freezer! Será que isso tem a ver com mina vida amorosa! Você bem que poderia me ajudar nessa também, não?"
O silêncio. Ele não podia sair perdendo dessa discussão e para ganhar deveria admitir algumas coisas.
"Não foi assim com você!" ele arriscou.
"Não foi exatamente! Eu só fingi insegurança para te atrair, mas depois você já estava na minha!"
Ele não sabia onde aquilo iria chegar, mas sabia que não acabaria bem. Quanto mais ele falava, mais se afundava. Como ela podia ser tão cruel? Ele achava que era dos maus, mas aquela mulher do seu lado. Aquilo era um monstro. Um monstro que não parava de falar e a cada palavra dela, ele se sentia pior.
"Você acolhe essas garotas nos braços, mas logo se cansa, porque acha uma mais insegura e mais indefesa..."
Aquilo não fazia sentido para ele. Porque estaria com ela, então?
"Você só está comigo até agora porque eu fui diferente!"
Um monstro ela era.
"Sempre te surpreendo!"
Dos grandes.
"Agora mesmo você fica com essa cara de besta! Maz que eu acho encantadora..."
Cruel e faminto. Devorador de homens.
"Mas não se preocupe! Não vou te trocar por qualquer um! Você ainda me passa segurança!"
Um monstro frio e calculista. Ciente da situação.
"Por isso não ligo muito de você trocar flertes com essas menininhas. Isso o deixa mais seguro e quando elas retribuem, faz bem para seu ego! E eu não quero um namorado com baixa auto-estima, não é?"
Um monstro que estava certo.
O carro parou no estacionamento do prédio. Ele mudo. Ela passou a mão no rosto dele.
"Não fique assim! Te assusta eu estar tão certa, eu sei... Mas você já deveria estar acostumado! Vou te preparar algo pra comer, tudo bem?" e saiu do carro.
Ele ficou lá parado. Pensando.
Talvez seu ego inflado o tenha cegado de certas coisas. Como podia ser tão burro?
Nessa noite, Dr. Jekyll iria dormir com Sr. Hyde.
 

quarta-feira, 2 de junho de 2010

o limite de filmes serem somente filmes

Hoje fui cancelar minha conta no famigerado banco Santander.
Não foi uma tarefa fácil e me lembrou um causo que me aconteceu há mais ou menos um ano. Relendo esse meu texto, percebi como as coisas mudam em um ano. Tudo pode passar rápido, mas algo tem de acontecer nesse meio tempo, nem que sejam coisas ruins, mas elas acontecem. Lembro de num lamúrio adolescente ter comentado ao telefone com uma amiga anos atrás: "Tenho medo de acordar com cinquenta anos e perceber que não fiz nada!" ao que ela respondeu "Pelo menos você teria dormido e não veria tudo passar se arrastando..." Na época eu fingi que entendi e dei uma risada, mas hoje eu saquei. E dei risada de novo.
A insônia me impulsiona a escrever esse texto. Acabei de assistir ao filme-monumento do Arnaldo Baptista e lembrei de ter uma vez comentado com minha namorada o fato de não gostar de filmes fictícios sobre pessoas de verdade, tipo esses bem séries da globo, que criam um mito em cima da personagem e fazem dela o que o diretor e o roteirista bem entenderem. E dá-lhe construção de imagem, e dá-lhe Cazuza poeta, Ray Charles ativista e Edith Piaf cachaceira. Não que nenhum deles os fossem (em especial a última) mas há sempre o limite de filmes serem somente filmes e passarem só aquilo que um ou outro querem. E documentários não são diferentes. E Loki também não é. Algumas passagens, pessoas da época narrando, o próprio objeto em questão se pronunciando sobre os fatos de sua própria vida.
Há momentos de Loki em que os amigos resolvem tomar parte de algo que aconteceu na vida da personagem principal e a gente pensa "Vira essa câmera logo pro Arnaldo e pergunta pra ele como foi que aconteceu!"
Num momento, o chato do Lobão (sempre chato) começa a dizer que o Arnaldo não tentou o suicídio em 1982, simplesmente pirou e "tropeçou" do quarto andar, ao que o filme gentilmente corta a cena para o próprio sujeito que diz que precisava se libertar e se jogou da janela do hospital condenando-se há uns meses de coma.
Sábias são as palavras do Roberto Menescal quando diz no filme que cada um guarda sua verdade e mesmo que esses digam "Eu vi tudo! Eu estava lá!" não serão portadores de uma verdade universal já que esta não existe. E não existe mesmo! Certos artistas são eternos em suas obras e dane-se o que falaram ou viveram ou de quantas janelas se jogaram ou pessoas que amaram.
Quanto à conta no Santander? Consegui encerrar depois de uns socos e algumas costelas quebradas, mas consegui! 

Ouvindo "Balada do Louco" com Os Mutantes.

PS: O tal causo.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O leão nosso de cada dia... [2]


Os dias estão foda e cada dia é um leão que tenhod e enfrentar no poço.
Não está ruim, não reclamo, mas são tantos planos, tantas ideias, mas muitas âncoras.
Muita falta de coragem...

Ouvindo "Wild Is The Wind" na versão da Cat Power de cortar os pulsos.

Um abraço

PS: Não sacou a do leão? Clique aqui!


domingo, 9 de maio de 2010

Vagando pela minha mente

Amadeus acordou naquele dia sentindo que havia alguma coisa estranha. Teve um sonho estranho.
Tomava seu café pensando nisso, beijou a esposa em despedida, pegou o ônibus e chegou no trabalho pensando nisso. Não sabia com quem comentar, mas não aguentaria por muito tempo.
Amadeus era um homem comum, com uma casa comum, um trabalho comum, uma família comum, mulher, dois filhos, um cachorro, TV a cabo, faxineira toda semana, ouvia música clássica, tomava cerveja e jogava futebol com os amigos, não tinha grandes problemas com a vida e adorava resolver pequenas coisinhas que ficam atravancando nossas vidas. Pagar contas, arrumar a fechadura da casa, juntar aqueles fios do computador, arranjar um calço para sua escrivaninha, reunião com o chefe, reunião na escola dos filhos, ligar para a gerente do banco para resolver aquele débito pequeno, porém mensal e indevido, essas coisas. Por mais que soubesse que quanto mais resolvesse esses problemas, mais eles apareceriam, Amadeus continuava a resolvê-los e secretamente confessava a si mesmo em seus momentos de introspecção (geralmente no ônibus ou antes de dormir) que na realidade gostava de resolver essas coisinhas. Era como se ele ocupasse sua mente com coisas pequenas para não precisar se preocupar com as coisas muito grandes que ao tentar concluir e decifras, sentiria-se mais frustrado e deprimido.
Amadeus estava em crise e muito disso foi por conta do sonho que tivera naquela noite.
Você deve estar se perguntando como eu sei tanto sobre Amadeus e a resposta é simples: eu o criei. O problema é que me parece que ele agora está começando a perceber.
"Foi um sonho estranho, estou dizendo." disse ele ao seu amigo no telefone.
"Como assim, Amadeus? Foi só um sonho! Eu tenho esses sonhos malucos o tempo todo." tranquilizou o amigo.
"Mas dessa vez foi sério! Acordei com isso na cabeça. Era muito real, apesar de só comprovar a ficção." explicou Amadeus.
"Que ficção, Amadeus? A vida é isso que vivemos agora. Você é tão real quanto essa loura que está passando na frente da minha sala agora." ironizou.
"Fique ai com suas louras então! Ela também não é real! Você também não é! Eu não sou! Caramba, cara! Isso é terrível! Ele deve estar ouvindo tudo isso agora." apavorou-se Amadeus.
"Meu amigo, você precisa de umas férias! Te ligo mais tarde! Abraços!" e desligou.
Amadeus desligou e ficou sentado em sua mesa olhando fixamente para o telefone esperando que ele tocasse. Esperando que fosse alguém que acreditasse nele. Esperando que fosse eu. E o telefone tocou.
"Alô, é você?" perguntou. Mas não era eu.
"Amor, tudo bem? Você parecia estranho quando saiu de casa! Aconteceu alguma coisa?" era sua mulher.
"Está... tudo bem..." disse decepcionado.
Deixe-me contar meu sonho, que foi também o de Amadeus. Eu estava tranquilo vagando pela minha imaginação enquanto dormia quando encontrei Amadeus. Ele se assustou e perguntou quem eu era. Eu logo disse que ele era mero fruto da minha imaginação e não precisava se preocupar. Ele não gostou quando disse isso e replicou dizendo que eu é que era fruto da imaginação dele. Eu ri, mas deixei que ele acreditasse. Acordei logo depois e ele ficou ainda vagando pela minha mente até que essa história começasse e eu pudesse enfim acordá-lo. O problema é que ele acordou com isso na cabeça e não me deixou em paz desde então. Que fique claro que uma história não começa quando as letras são batidas e sim muito antes. Há coisas que precedem e sucedem alguns personagens. É como se eles existissem eternamente e só presenciássemos alguns momentos de suas breves vidas.
Amadeus desligou o telefone depois de uma briga com a mulher. Ela também não acreditou nele.
"Ele disse que eu era fruto da imaginação dele e que você também e tudo que eu conheço!" ele tinha dito.
"Deixe de ser maluco, Amadeus! Nós temos uma história! Um álbum de casamento! Contas no banco! Tudo! Nós somos reais!" ela retrucava.
"Somos sim... Na cabeça dele! Como se ele fosse Deus!" ele dizia em tom de mistério.
"E desde quando você acredita em Deus?" ela perguntou e ele ficou mudo.
Depois de mais alguns argumentos falhos, sua mulher desligou o telefone.
Resolvi fazer contato. O telefone tocou. Ele demorou um pouco para atender, mas foi em frente.
"A-alô?" gaguejou.
"Amadeus?" eu disse.
"Sim?" disse ele.
"Sou eu!" eu disse.
"Você? Eu sabia! Eu sabia! Meu Deus! Isso é terrível! Como assim? Porque ninguém acredita em mim?"
"Porque eu não quero que eles acreditem, Amadeus! É o conflito que seu personagem deve ter na história." eu expliquei.
"Que história? Eu tenho minha história! As coisas vão acontecendo." dizia ele apavorado.
"Eu sei, Amadeus! Sua história era comum e nem valia a pena um conto, mas pensei que poderia falar do homem moderno e seus dilemas, mas você atrapalhou tudo me encontrando naquele sonho. Agora fica cheio de dúvidas dificultando o desenrolar da sua história." eu tentava explicar.
"Isso não pode ser possível!"ele dizia inconformado e continuou "Mas e se...?"
"Eu já sei o que você vai dizer! E se eu também não sou mera criação de uma mente superior?"
"É! Isso mesmo..." ele disse todo orgulhoso.
"Estou bem ciente de quem sou, Amadeus! Tão ciente que posso criar outras consciências." eu disse.
"Até ai eu também posso e estou muito ciente da minha existência..."
Devo confessar que Amadeus me pegou de surpresa apesar de já ter pensado nisso. Ele, ou eu, dependendo do ponto de vista, tinha razão. Pretensão a nossa de nos acharmos criadores.
Nunca mais encontrei Amadeus em meus sonhos, materializado ali, bem parecido comigo só que um pouco mais velho e magro. Foi uma experiência e tanto, mas eu preferiria não estar na pele do meu caro Amadeus.
Isso se já não estiver.























Ouvindo a introdução de "Requiem" obra inacabada do Mozart.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mais um desses pacotes

Hoje, numa conversa descontraída com meus alunos, devíamos estar discutindo os gêneros e percebi que muitos deles, meninos e meninas entre 13 e 16 anos colecionavam o álbum da Copa. Muitos indagavam o motivo de eu não ter comprado o meu ainda e educadamente, sem parecer arrogante e chato pois contra o álbum da Copa nada tenho, disse que não tinha tempo pra essas coisas. Alguns até ofereceram me comprar um álbum e doar as figurinhas repetidas que sobraram depois de tantos pacotes comprados, mas eu recusei. O fato é que num determinado momento da conversa algum aluno citou um filme de herói revelando as mais óbvias caras de desinteresse das meninas. "Vai me dizer que de "Guerras nas Estrelas" você não gosta?" perguntei para uma delas. Sem pestanejar, a mocinha sacudiu os louros cabelos e como que já pensando no outro assunto, soltou "Não tive a oportunidade de assistir a todos os filmes..."
"Mas quantos são?" alguém perguntou.
"Deve ser uns 6..." falaram.
Fiquei com isso na cabeça e dentre tantas coisas mais importantes para tergiversar, só isso me ocorria na volta pra casa. Percebi que aquele Guerra nas Estrelas que meu pai me ensinou a gostar não é mais esse tal de Star Wars. E não porque os filmes ficaram ruins ou qualquer coisa estética, mas sim porque o meu Guerra nas Estrelas virou mais um desses pacotes que a gente vê tudo de uma vez, tipo essas séries em que a galera é fissurada, tanto de livros quanto da TV. Pacotões em massa feitos sob medida para o entretenimento de massa. E eu me senti mais um desses jovens chatos querendo se passar por velho falando de todas as coisas velhas que gosta e desprezando tudo que é feito em massa. O mais engraçado foi que minha aluna não me olhou com cara de desprezo como se eu estivesse falando de uma coisa empoeirada que ninguém mais gosta. Ela só disse que ainda preferia Crepúsculo, mas que um dia... Quem sabe?
Devo dizer que fico impresisonado quando apresento certas coisas e os adolescentes parecem mais interessados que os adultos que quando veem na tela um filme em preto e branco já reclamam "Lá vem o Cayo com suas velharias... Por que ele não põe um clipe animado?"
Será que é medo de ficar mais velho? Coisa que os adolescentes não tem.
Quanta besteira! Preciso estudar mais e me preocupar menos com idiotices...

Só isso por hoje!

Boa noite!

Ouvindo "Couleur Cafe" com Serge Gainsbourg

domingo, 18 de abril de 2010

O destino do mesmo

Há um belíssimo filme de Ingmar Bergman no qual um casal de amigos se deita à cama, porém um deles (ou ambos) já são casados com outra pessoa há anos. A sutileza do fato é que ele se torna um ato de traição ao matrimônio justamente pelo fato de os dois irem para a cama e simplesmente dormirem. Sem mais, como fazem a maioria dos casais.
A arte às vezes diz mais que qualquer livro de psicologia ou sociologia, pena ela ter perdido tanto seu valor.
Num outro filme, Woody Allen, que sempre teve Bergman como um de seus favoritos, conta a história de um casal que já vai passando dos cinquenta e se vê obrigado a conhecer o parceiro e mais que isso, reconhecê-lo, uma vez que tendo o filho seguido a vida, eles percebem que aquilo que os unia se foi e é preciso retornar ao convívio mútuo há muito esquecido. É nesse momento que o casal entra em crise e o filme, tendo como pano de fundo um roteiro absurdo, porém divertidíssimo, aborda as relações de um casal cinquentão que atinge um momento onde o destino do mesmo é a separação ou a união. Ainda que diferente daquela estabelecida uns trinta anos antes, no entanto, mais madura e portanto, forte e bonita.
Só isso que eu tenho pra dizer nessa madrugada.
Boa noite!

sábado, 17 de abril de 2010

Hábitos e fobias...

Boa noite!

Tem sido difícil escrever por aqui. Estou trabalhando demais e até desenhar fica difícil, mas sempre que eu acho um tempinho, pego um pedaço de papel e rabisco algumas coisas.
Esse, por exemplo, eu fiz depois de uma aula com meus pequenos que não saiu muito bem.

















Esses dois eu fiz durante a interessantíssima aula de Introdução à Arquivologia. A aula tem bons momentos, mas às vezes só me restam os rabiscos.

Esse foi uma homenagem à minha namorada que sofre de Ictiofobia, mais conhecido como "medo de peixe" que pra mim é frescura.

















E esse é para vocês notarem o quão interessante estava a aula.











Depois eu volto com as tirinhas!

Abraços

Ouvindo "Eleanor Rigby" com Duofel.

terça-feira, 30 de março de 2010

Hoje fui acometido dos mais dúbios pensamentos...

Entraram em mim e disseram "Você é um bosta!"
Fazia tempo que não me sentia tão mal. Não foi um fato isolado, mas coisas que pareciam acumuladas e resolveram se soltar. De algum modo, escondi bem, mas agora já foi.
Uma piada que deu errado no telefone, uma conversa mal sucedida, uma coisa que achei que havia saído bem, não passou de mais do mesmo. Mais da mesma merda. E a gente morrendo a cada dia.
"Não arrumo a cama de manhã porque sei que vou desarrumar mais tarde" eu disse brincando para um adolescente, ao que ele respondeu seriamente "Então qual é o sentido de viver?"
"Como assim?" eu perguntei já sabendo a resposta.
"Para que eu vou viver se eu sei que no final eu vou morrer?"
"Que profundo isso!" ironizei para tentar esconder minha verdadeira surpresa para com a resposta de um jovem pelo qual eu não poderia esperar nada além de babaquices da adolescência.
O comentário não me convenceu. Continuo sem arrumar a cama, mas acho que ver um adolescente falar desse jeito me deixou meio estranho, porque eu não parei para pensar se ele estava certo ou errado. Se bobear, ele só havia repetido o discurso moralista da mãe ou da tia, afinal, um adolescente que se preze vai viver a vida e não daria a mínima se a cama dele está desarrumada ou não.
"Não espere que batam nas suas costas e digam 'bom trabalho' "
Foi o que me disseram hoje também. Justo eu que adoro elogios.
Vou largar tudo!
Vou escrever e desenhar! Não sei se aguento viver cada semana esperando pelo fim de semana.

Foi pouco o tempo, mas eu acho que era um pouco mais feliz antes. 

Vamos ver o que o amanhã esconde!

Pareço que tenho 16 anos de novo! Escrevendo mal e a esmo...

Preciso de um banho e uma boa noite de sono!


Ouvindo Feist com "Intuition"

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Noite

Perdera os sentidos e entrara num transe silencioso em que só ele sabia que estava, mas mesmo assim não sentia seus membros, muito menos o vento que batia em seu rosto já que depois de um tempo percebera que sobrevoava a cidade. Lá embaixo, via os pontos luminosos que figuravam  um belo tapeto iluminado. Olhava para os telhados e tetos de casas e apartamentos e se perguntava o que estaria acontecendo naquele exato momento dentro daqueles ambiente.
Um casal brigando por algo sem motivo, talvez. Uma criança chorando no travesseiro a perda de algo que muito amava. Um parente ou um bola. Velhinhos dormindo cedo alheios à noite. Casais se amando embaixo dos lençóis, no chão, em cima dos móveis. Uma mulher solteirona acompanhando as últimas notícias do dia no jornal da noite. Provavelmente havia um estudante que chegara tarde em casa e requentara o almoço que agora era janta e o saboreava enquanto assistia ao seu seriado predileto que por sorte começava logo quando chegava da faculdade.
Como sabia disso se só sobrevoava? Começou a sentir uma leve brisa em seu rosto e o movimento das mãos e dos pés começava a voltar.
Que boa a sensação essa de voar.
Subiu bem alto e ao passar por uma nuvem, surpreendeu-se com o fato de não sair todo enxarcado.
"Não são feitas de gotículas?" pensou.
Continuava a passear pelos céus sem se atrever a chegar muito perto dos prédios. E se alguém o visse? Ficariam tão surpresos quanto ele, mas não teriam o mesmo prazer de fazer o que ele fazia.
Voou por uma parte da cidade em que as casas pareciam escuras. Um homem sujo pedia esmolas aos transeuntes que o ignoravam. Dentro de casas, uma mulher batia no filho enquanto o pai preparava a cinta.
Um moça vidrada na TV parecia não perceber o programa que passava.
Continuava voando ainda sem entender como sabia dessas coisas.
Sobrevoou um campo verde que, sob a luz do luar, parecia prateado. Dispensou o clichê e passo por uma mata onde os animais faziam sua sinfonia ao luar. Sentiu que começara a perder altitude. Sofreu alguns solavancos que aconteciam contra sua vontade e começou a cair.
Queda livre em direção à floresta.
Não houve estrondo quando caiu. Somente um barulho fofo.
Caíra em um monte de folhas, mas mesmo assim, seu corpo tremia pelo choque de perder o poder de voar. Conseguiria voar de novo?
Tentou alguns pulos sem sucesso até que sentiu que algo o puxava por debaixo das folhas. Uma raiz talvez?
Mas começava a puxar forte como se quisesse levá-lo para dentro das folhagens. Tentava escapar àquilo que o puxava até que sentiu que seu pé tocara algo úmido como lama. Já estava até a cintura e já começava a desistir de lutar contra essa força até que numa última tentativa impulsionou seu corpo para o alto e como que por milagre, voltou a voar.
Voou alto. Os pés gelados. Passou pelo verde campo prateado. Pela cidade, até que reconheceu sua casa. Percebeu que não estava mais no controle de seus movimentos. Perdera o movimento dos membros e o vento no rosto sumira. Ia numa velocidade alucinante diretamente para sua casa.
Vôo rasante em dieração ao seu quarto até que pulou da cama num susto, daqueles que sentimos quando ainda estamos no "quase-dormir".
"Que sonho maluco!" pensou.
Fechou a janela do quarto e foi tomar um copo com água. Na volta, ainda tentava remontar o que acontecera durante o transe. Ao colocar a cabeça no travesseiro percebera algo escuro que vinha da porta até sua cama como num rastro. Antes de cair no sono novamente, tentou concluir o que seria aquele rastro escuro, mas a mente pesava em num instante apagou.

Ouvindo "Rhapsody in Blue" pela New York Philarmonic Orchestra.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Cinéma parlant


































Ok, eu disse que faria um outro blog pros quadrinhos, mas desencanei!
Tenho preguiça de ficar gerenciando essas coisas!

Abraços

Ouvindo "Love Theme from Blade Runner" por Vangelis.

Rituais Atuais

Estavam numa festa. Ele fora convidado por educação, mas como não tinha programa para aquele sábado, resolveu aparecer para surpresa dela. Bateu na porta e ela atendeu:
"Oi!" fez aquela cara de espanto mesclada ao sorriso que não consegue esconder a surpresa.
"Achou que eu não vinha, não é?" disse ele entregando a garrafa de vinho para ela.
"Não! Não é isso!" disse ela constrangida pegando a garrafa "Pode entrar! O pessoal está na sala."
Não era um grande festa, mas sim algo discreto. Alguns amigos conversando e o ingresso era algum tipo de bebida. Ao passar no supermercado para comprar o vinho, sua bebida predileta, ponderou se deveria ir mesmo à tal confraternização. O que estaria confraternizando? Só queria vê-la mesmo, falar um oi, conversar, fazer piadas, rir do riso dela, essas coisas, a troco de quê, afinal? Ela já devia estar em outra e tinha razão em fazê-lo, mas ele insistiu em aceitar o convite. No começo recusou, mas na última hora resolveu aparecer, entregou o vinho nas mãos dela e foi para a sala despretensiosamente sem nem beijá-la no rosto.
Na sala, alguns conhecidos, outros nem tanto. Pecebera que ela convidara todo tipo de amigo. Resolvera misturar universos, chamar amigos do trabalho, faculdade e da infância. Se por um lado tais atos possam resultar em relações frutíferas, por outro a noite pode acabar numa longa e pedante discussão sobre a legalização ou não do aborto no futuro estado palestino.
Pegou algo para beber e ficou encostado na parede enquanto a via passar até a cozinha, provavelmente para abrir o vinho. Olhou em volta e se perguntou quem seria o sortudo da vez. Aquele loiro conversando com uma colega sua? O moreno alto sentado no sofá ou aquele cara que fazia caras engraçadas sempre que ajeitava a grossa armação dos seus óculos?
"Deve estar sozinha" pensou, mas não devia ser. Ouvira boatos dos amigos "Ela está com um cara, eu fiquei sabendo" outros diziam que depois dele, ela passara para outro nível de relação "Talvez ela esteja preferindo novas experiências, você entende?" disse com uma piscadela uma amiga dele do trabalho "Posso falar com ela se quiser" completou.
"Não precisa! Ela deve estar bem! Seja lá com quem estiver..." disse olhando para o copo de cerveja no bar onde estavam.
"Me ajuda aqui?" disse ela lá longe. Ele conseguia ver um pedaço da cozinha. Lá estava ela com seu vestido preto entregando a garrafa de vinho e o abridor para alguém que ele não conseguia ver.
"Bem! Pelo menos não é um dos três que imaginei." pensou ele.
Virou um gole da bebida e quando olhou de novo para a cozinha, ela estava saindo junto com uma amiga.
"Bem que eu desconfiei!" pensou com um sorriso.
"Quero te apresentar minha amiga! Ela é da faculdade!" disse ela apresentando a amiga que estava com sua garrafa de vinho na mão. Ele a cumprimentou e completou:
"Vai beber tudo sozinha?"
"Não!" disse sorrindo "Quer um gole?" perguntou.
"Claro! Acho que mereço um pouco! Foi difícil achar uma boa safra no mercado!" mentiu feio.
Ficaram conversando, mas sua cabeça estava em outro lugar, em outra pessoa na verdade. Quem nunca viveu isso? Se não viveu, pelo menos viu num filme, se não, quando isso acontecer, vai pelo menos lembrar dessa história.
Ela arranjara outro e agora empurrava uma amiga pra ele. Saldo positivo para os dois lados.
"Mas como ela poderia ter superado assim tão rápido?" Ele se perguntava. Talvez fosse um teste e ela só queria ver até onde ele chegava, mas disso ele duvidava. Ao contrário dele, ela agia de forma mais passional e isso que o deixava mais intrigado.
"Não sei se vale a pena a gente continuar..." disse ele.
"Mas por que não? A gente se gosta, se da bem!" disse ela chorando.
"Eu sei, mas isso não vai chegar em lugar nenhum!" ele disse impassível.
"Mas tem que chegar em algum lugar? Vamos levando..." ela continuava .
"E vira rotina..." e depois de uma longa pausa, ele covardemente selava sua decisão "Desculpe..."
Voltando do flashback, ele a viu com ele. Um cara normal, parecido com ele. Eles ficavam lá no canto trocando carícias. Ao perceber que ela o viu espiando, ficou com um sentimento que mesclava desafio e ciúmes.
"Vou pegar um copo." disse à amiga dela e foi para a cozinha. Ficou lá esperando que ela aparecesse, mas nada. Quando voltou, lá estavam os dois conversando com a amiga.
"E o copo?" disse a amiga.
"Não achei nenhum que me agradasse." disse brincando.
"Ele é assim mesmo..." disse ela para amiga como se já estivesse preparando terreno. Isso o irritou.
"Você conhece meu namorado?" disse ela apresentando os dois.
"É um prazer!" disseram juntos apertando as mãos. Pelo aperto suave, ele supôs que o cara nem desconfiava do passado deles juntos.
"Você é o ex dela, não?" o namorado atual disse. Meio sem jeito, ele respondeu:
"É! Até que a morte nos separou." todos riram e ela completou pegando na mão da amiga:
"Eu falei que ele era engraçado!" o que o deixou um pouco mais irritado.
Os quatro se sentaram num sofá e conversaram sobre coisas triviais, programas de TV, jogos e aspirações. Vez ou outra, aparecia alguém que a tirava da conversa para resolver alguma coisa na cozinha ou qualquer outra coisa. Em alguns momentos, as duas saiam para ir ao banheiro, falar deles talvez, e eram nessas horas que ele ficava mais constrangido até que num desses momentos, a bebida já falava por si só e eles já haviam desenvolvido até uma certa amizade, ele perguntou:
"Eu sei que parece estranho, mas você não tem nem um pingo de ciúmes?"
"Não! Imagine! Ela me contou tudo! E afinal, você só ficaram uma semana, não?" disse ele.
Ele sabia que ela tinha mentido. Não podia ter contado tudo. Disse que foi um caso rápido e que não deu certo e o rapaz engoliu, mas o mesmo completou:
"Claro que teve toda a enrolação antes e depois dessa semana, mas eu sei como é! Não precisa encanar!"
"Não! O que é isso? Só estava curioso."
Espanto! Foi o que ele sentiu. Em pensamento, ele pulou do sofá. "Como assim? Ela contou tudo?" e enquanto ele ia pensando, o namorado ia dando detalhes da relação passada deles. Tudo que ele fez, a enrolação, as traições, as crises emocionais, as brigas sem motivo, tudo! Bem que ela parecia estranha com ele. Teria superado de vez? De vez mesmo?
Ninguém supera assim de repente. Não aquela garotinha chorosa do dia em que terminaram. 
"Ela diz que você foi o "rito de passagem" dela." o namorado disse dando um gole de sua bebida.
"Ah é?" disse ele se arrependendo de demonstrar interesse.
"É! E eu devo te agradecer. Eu conhecia ela antes de vocês se conhecerem e ela amadureceu bastante. Sabe o que quer da vida. Botou os pés no chão, entende?"
"Sim! Eu sei." ficou com preguiça de discordar. Essa história de amadurecer. Ele não acreditava nisso. Via a vida em várias etapas, umas vão e voltam, mas sempre que lidamos com uma coisa diferente, somos tão infantis quanto nas situações anteriores. Uns vão dizer que são essas situações que fazem a gente amadurecer, mas ele preferia manter seu ponto de vista. As pessoas podem até se conhecer melhor, escolher os caminhos que darão mais prazer, mas quando a coisa é pra valer, não existem escolhas racionais. Essas geralmente acabam numa mesa com um contrato e um advogado de cada lado dizendo quem fica com o quê.
"Ela disse hoje no telefone "talvez o "rito" vem hoje na festa, tudo bem?" e eu achei engraçado porque ela acha que eu posso demonstrar algum tipo de ciúmes." ele comentou.
Aquele cara falando o irritava. "O "rito"?" pensava ele. Como assim? Ela podia ser ao menos mais poética! E que história era essa de contar tudo pra esse outro cara? Com certeza um amigo do colégio que sempre ficou no pé dela e resolveu se aproveitar de um momento de fragilidade.
"Reduzido a um processo de amadurecimento! Só me faltava essa!" ele pensou.
"Mas no final, você parece um cara bem legal" disse o namorado.
"Ah! Obrigado! Você também..." disse educadamente.
Por mais que quisesse conversar a sós com ela, dizer o que passava na cabeça e até brigar com ela, nada disso aconteceu.
"O que você quer? Eu já te superei!" ela diria.
"Eu sei, mas precisava contar tudo para aquele cara?" ele diria.
"Não tenho segredos com ele e ele me entende, diferente de você!" ela argumentaria.
"Sim claro! Ele e todos os seus pés amadurecidos no chão." ele zombaria.
"Qual é o tamanho do seu ego? Me deixa em paz!" e ela sairia.
Como ele estava ruim de adivinhações naquela noite, resolveu não arriscar. O namorado dela também não deixava ela sozinha nem por um segundo.
"Sufocante." pensou. Ou seria ela que não deixava o namorado respirar?
"Sufocante." pensou novamente.
Talvez ela tivesse razão. Uma vez dissera que seu ego era muito inflado e precisava ser massageado constantemente, mas para isso ele insistia nos erros e acabava machucando quem o cercava. Ela, avaliara, fora uma dessas pessoas que saíram machucadas. Decidiu ir embora. Antes, trocou alguns contatos com a amiga, mas não sabia se valia a pena manter contato. Talvez ele dera muita importância a tudo isso. Tinha esquecido que ela também chorava quando via o último capítulo das novelas.
Mas seu ego não saiu ferido daquela festa, afinal, havia virado uma passagem, um divisor de águas, alguém na vida de outra pessoa. Um marco.
Mais um na vida que, segundo ele, encontramos toda hora, mas que apesar de lutarmos desesperadamente contra a corrente, somos puxados para o centro do redemoinho ficando sempre rendidos por sentimentos inexplicáveis.

Ouvindo "So Sorry" por Feist.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A Espera

Aconteceu tem um tempo. Não havia conseguido companhia naquela tarde e fui ao cinema sozinho. Estava calor, coloquei meus trajes casuais e peguei  o ônibus em direção ao meu destino que não era muito longe e o trânsito estava traquilo. Ao chegar no cinema, já sabia o filme e o horário que iria assistir, mas mesmo assim peguei um folheto com a programação para confirmar e aproveitei para checar os outros filmes.
Comprei meu ingresso e fui me sentar num banco de dois lugares que ficava embaixo dos cartazes dos filmes. Ainda faltava uma hora para o filme começar e solteiro que estava, comecei a perceber as pessoas, em especial as garotas que circulavam pelo cinema. Uma mulher acompanhava a filha adolescente para algum filme, duas amigas conversavam e riam alto no Café do cinema, uma senhora que estava sentada no banco ao lado do meu lia com certa dificuldade o folheto da programação. Esquecera os óculos em casa, talvez. "Mas como iria ler as legendas?" pensei "Talvez ela já entenda francês... Mas e se o filme for em inglês ou espanhol ou mandarin? Enfim... Preciso ir ao banco" levantei mas o celular tocou.
"O quê? Agora já está meio tarde! Já comprei o ingresso e acho que você não chega aqui em uma hora... Tudo bem! Fica pra próxima! Abraço..."
A senhora olhava pra mim e quando virei ela virou também. Devia se parecer com algum parente dela. Voltei a me sentar e novamente averiguei o terreno. Novas pessoas, novas garotas. Duas entraram enquanto falava no celular e não pude deixar de notar seus vestidos leves e curtos de verão que delineavam suas curvas que pareciam ter sido esculpidas pelo escultor predileto do melhor artista renascentista. Os decotes, as pernas, os cabelos, os olhos, as mãos dadas.
"Droga!" pensei. Antes que eu pudesse ter qualquer ideia maluca de aproximação, elas já haviam comprado seus ingressos e agora trocavam carícias num outro banco perto do Café. "Mulheres" pensei "A pior e mais forte concorrência que um homem pode ter... Vou ao banco!"
Mas reparei que uma garota lia um livro no Café. Era linda! O cabelo, os olhos, mas logo apareceu um cara com dois cafés. Devia ser o namorado.
"Posso sentar aqui?" uma garota perguntou.
Mal me virei "Sim! Sim!" e naquele olhar despretensioso, percebi minha grande chance. Nem esperei a garota sentar "Vai ver um filme?" e logo me arrependia da pergunta estúpida.
"Vou sim! Só que só começa daqui uns quarenta minutos" ela respondeu.
"Ah! Então acho que vamos ver o mesmo filme" e mostrei meu ingresso. Percebi que aquilo era patético.
"Sim! Esse mesmo!" disse ela sorrindo e pegou o celular.
"É... Ouvi boas críticas" disse para que o assunto não morresse.
"É... Sim..." disse ela sem olhar pra mim pois começara a digitar uma mensagem.
"É..." eu disse escondendo o medo de que aquilo acabasse ali mesmo. Como podia deixar que acabasse assim? Nem precisei ir atrás! Ela deu o primeiro passo! Ninguém sentaria ao meu lado assim por nada! Com certeza ela havia me visto, me achou interessante e perguntou se podia se sentar ao meu lado. E se por acaso eu assistisse o mesmo filme que ela seria perfeito! Nós dois travaríamos um conversa, trocaríamos telefones e o garanhão já teria programa para sexta-feira.
"Final de semana chegando hein?" eu disse. Que tipo de pergunta idiota foi essa?
"É..." disse ela ainda digitando a mensagem. Resolvi esperar ela terminar. Quais seriam os próximo passos? Não podia ir perguntando sobre os planos dela do final de semana, seria muito direto e ela poderia perceber o meu interesse. Ela terminou.
"Tem planos para o final de semana?" Idiota! Imbecil! O que você fica fazendo enquanto eu fico aqui pensando tudo? Ela estranhou um pouco a pergunta, mas não ligou.
"Err... Acho que vou ver uma exposição no Museu de Arte Moderna, esse é o último final de semana"
Ótimo! Ela gostava de arte, seria uma artista? Estaria eu me envolvendo com uma artista? Já havia me envolvido com secretárias, atrizes, designers, arquitetas, todas belas, psicóticas, simpáticas e maníaco-depressivas, mas uma artista? Se bem que ir em exposições não faz de você um artista.
"Então você é artista?" Tudo bem! Em que momento essa pergunta passou pela minha mente e resolveu ser transformada em sons pelas minhas cordas vocais?
"Não!" ela sorriu! Que sorriso bonito! Mexeu no cabelo "Sou professora!" e ainda completou para meu constrangimento "Não precisa ser artista para ir à uma exposição, certo?"
"Claro! Claro que não! Que cabeça a minha" ri sem graça e antes que ela pudesse perguntar sobre minha  ocupação e eu tivesse que contar todas as minhas desilusões profissionais eu perguntei:
"A exposição é sobre o quê?"
"É um apanhado de obras de artistas contemporâneos" repondeu ela. Apanhado? Como você apanha a arte? Contemporâneos? Meu Deus! Devia ser a pior exposição do mundo. E o pior é que ela devia de fato se chamar "Apanhado de Arte", porque não devia passar disso.
"Muito legal!" disse eu e completei "Acho que vou passar por lá qualquer dia desses"
"Esse é o último final de semana!" ela disse.
Esse foi o momento! Eu não sei se o leitor percebeu, talvez devido à falta de malandragem masculina de reparar os códigos das mulheres, mas foi nesse momento que ela praticamente abriu as portas da vida dela para mim. Ao dizer que esse era o último final de semana, ela estava indiretamente me convidando para ver a exposição junto com ela. Lá conversaríamos sobre tudo, riríamos das nossas piadas, eu falaria mal dos artistas, ela os defenderia, tomaríamos um café juntos, até jantariamos talvez, e na despedida em alguma catraca de algum metrô da cidade, nos olharíamos nos olhos, tocaríamos as mãos, nos beijaríamos e começaríamos um linda relação e contaríamos para nossos colegas nos jantares em conjunto que havíamos nos conhecido no cinema e eu me gabaria dizendo que ela havia sentado ao meu lado porque se interessara por mim e ela mentiria dizendo que só sentara ali porque era o único lugar vago. Todos ririam e nós trocaríamos olhares apaixonados na mesa.
"Você está bem?" ela perguntou "Ficou olhando para aquele poster um tempão" ela riu.
"Ah! É que estava querendo assistir aquele filme já tem um tempo" eu menti.
"Esse é bom! Vim com meu namorado no final de semana passado! É uma história linda e tem uma fotografia sensacional"
"É.. Dá pra imaginar pelo cartaz..." Quem diria! Poucas pessoas se interessam pela fotografia de um... Ela disse namorado?
O celular dela tocou! Ela falou algo, mas não tinha entendido.
"Bem, vou encontrar com meu namorado na padaria aqui perto pra comer algo! Esse Café é muito caro!"
"É... A arte sempre vem acompanhada de algo muito caro" brinquei sem sorrir e ainda olhando para o poster.
"É... Bem! Até mais! Tenha um bom filme" disse ela e saiu.
"Você também" disse em voz baixa.
O filme ainda iria demorar a começar, mas resolvi já entrar.
"Nem de arte contemporânea eu gosto mesmo..." e adentrei à sala escura.










Por Liniers