quarta-feira, 2 de junho de 2010

o limite de filmes serem somente filmes

Hoje fui cancelar minha conta no famigerado banco Santander.
Não foi uma tarefa fácil e me lembrou um causo que me aconteceu há mais ou menos um ano. Relendo esse meu texto, percebi como as coisas mudam em um ano. Tudo pode passar rápido, mas algo tem de acontecer nesse meio tempo, nem que sejam coisas ruins, mas elas acontecem. Lembro de num lamúrio adolescente ter comentado ao telefone com uma amiga anos atrás: "Tenho medo de acordar com cinquenta anos e perceber que não fiz nada!" ao que ela respondeu "Pelo menos você teria dormido e não veria tudo passar se arrastando..." Na época eu fingi que entendi e dei uma risada, mas hoje eu saquei. E dei risada de novo.
A insônia me impulsiona a escrever esse texto. Acabei de assistir ao filme-monumento do Arnaldo Baptista e lembrei de ter uma vez comentado com minha namorada o fato de não gostar de filmes fictícios sobre pessoas de verdade, tipo esses bem séries da globo, que criam um mito em cima da personagem e fazem dela o que o diretor e o roteirista bem entenderem. E dá-lhe construção de imagem, e dá-lhe Cazuza poeta, Ray Charles ativista e Edith Piaf cachaceira. Não que nenhum deles os fossem (em especial a última) mas há sempre o limite de filmes serem somente filmes e passarem só aquilo que um ou outro querem. E documentários não são diferentes. E Loki também não é. Algumas passagens, pessoas da época narrando, o próprio objeto em questão se pronunciando sobre os fatos de sua própria vida.
Há momentos de Loki em que os amigos resolvem tomar parte de algo que aconteceu na vida da personagem principal e a gente pensa "Vira essa câmera logo pro Arnaldo e pergunta pra ele como foi que aconteceu!"
Num momento, o chato do Lobão (sempre chato) começa a dizer que o Arnaldo não tentou o suicídio em 1982, simplesmente pirou e "tropeçou" do quarto andar, ao que o filme gentilmente corta a cena para o próprio sujeito que diz que precisava se libertar e se jogou da janela do hospital condenando-se há uns meses de coma.
Sábias são as palavras do Roberto Menescal quando diz no filme que cada um guarda sua verdade e mesmo que esses digam "Eu vi tudo! Eu estava lá!" não serão portadores de uma verdade universal já que esta não existe. E não existe mesmo! Certos artistas são eternos em suas obras e dane-se o que falaram ou viveram ou de quantas janelas se jogaram ou pessoas que amaram.
Quanto à conta no Santander? Consegui encerrar depois de uns socos e algumas costelas quebradas, mas consegui! 

Ouvindo "Balada do Louco" com Os Mutantes.

PS: O tal causo.