segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Grande e pequena trama

Em alguns filmes, a pequena (e principal) trama é acompanhada por uma grande trama que não é a principal, mas geralmente é, em algum ponto, definitiva para a história contada. Por vezes, a grande trama é só um contexto como uma guerra civil, um acontecimento histórico, determinada crise ou mesmo um incidente fictício mas que serve como pano de fundo para aquilo que as personagens vivem.
"Casablanca" e a segunda guerra, "Machuca" e o golpe no Chile, "Adeus, Lênin!" e a queda do muro de Berlim e assim vai.
O interessante é que em determinados filmes, aquilo que acontece com as personagens entra em sintonia com a grande trama, ou seja, o desfecho da grande trama pode ser a deixa para que a pequena trama também se resolva. Dai fico imaginando se não estou vivendo um filme nesse momento da minha vida e o pano de fundo são as eleições... Se rolar segundo turno, eu saberei que a história terá mais um mês para se desenrolar e independente de quem ganhe, eu realmente espero que não saia perdendo nessa minha pequena trama.
A menos que perder comece a dar bilheteria.

E que tenhamos todos uma boa semana!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A longa duração [Prólogo]

Antes que o professor pudesse se despedir, quase todos os alunos correram até a porta se espremendo no vão para encontrar um suspiro de liberdade. Apagou a lousa calmamente enquanto pensava nas suas obrigações para a semana até que foi interrompido por uma assistente:
"Professor, tem uma mãe querendo falar com o senhor."
"Pode deixar ela entrar." disse ele despreocupado. Era comum mães irem atrás dos professores para saberem como andava o desempenho dos filhos.
"Com licença!" disse a mãe entrando na sala. Ele quase deu um pulo ao vê-la na porta de sua classe. Os anos de mãe a haviam envelhecido, mas ela ainda continuava com aquele ar sério que enganava certa superioridade e arrogância.
Ela sorriu e logo disse "Eu precisava conferir se era você mesmo! Meu filho fala muito de você e quando disse seu nome, eu não quis acreditar."
"Meus Deus! Faz quanto tempo? Dez anos, doze anos?" ele sabia que fazia treze.
"Acho que por ai..." disse ela que também sabia o número exato.
"Pois é... Eu também desconfiei quando vi o sobrenome dele na lista, mas achei que fosse mera coincidência." ele disse sorrindo levemente.
"Que coisa! Todo esse tempo e a gente vem se encontrar logo aqui numa escola!" ela dizia com gestos contidos.
"É... E numa posição bem mais delicada! Eu posso reprovar o seu filho, você sabe..." brincou.
Ela sorriu e o abraçou "Quanto tempo!"
"Pois é..." meio sem jeito, ele retribuiu o abraço.
"Bom, enfim, como ele está? Bem?"
"Bem... Levando em conta que ele não puxou a mãe..."
"Deixe disso!" ela disse batendo levemente em seu ombro.
O clima era leve, mas ela parecia estranhamente feliz em vê-lo.
"Falando sério, não tenho problemas com ele." ele falou ainda num tom descontraído, mas passando seriedade.
"Fico feliz..." disse ela sorrindo.
Ficaram os dois se olhando e antes que pudessem pensar no que já sentiam ela soltou "Bom, ele está me esperando no carro! Preciso ir..."
"Sim, claro! Vá lá! Apareça mais na escola... Vamos tomar um café dia desses para colocar o papo em dia!"
"Claro... " ela disse sorrindo andando de costas e saiu pela porta sem saber se havia respondido sincera ou automaticamente.
"Claro..." ele sussurrou para si mesmo.
"Com certeza..." ela disse para si mesma no corredor.
Era estranho, mas ambos voltaram a sentir coisas há muito escondidas. Boas e ruins, mas que no curto prazo, eram prazerosas pois traziam de volta certos ares da juventude. Ares que com o tempo foram ficando viciados e sufocaram-se.
Ainda sorrindo, ele escostou na mesa e ficou pensando nas peças que a vida pode nos pregas vez ou outra.

Ouvindo "Je te veux" composta por Erik Satie.

domingo, 12 de setembro de 2010

Lavando roupa suja...










Ouvindo o grande Louis com Hello, Dolly!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sobre fichas

São necessários algumas horas, dias e às vezes meses para se entender algo. Não importa o tempo que leva, a sensação de que a ficha caiu é sempre confortante, mesmo que por um tempo a gente pense "mas por que não caiu antes?"
No entanto, a angústia do não-feito nem se compara à alegria do finalmente feito e, vamos ser sinceros, pior mesmo era a angústia de ainda não ter entendido e ficar vivendo os dias se martirizando, vendo as horas se arrastando sem fim. E fora que a angústia é parte do processo de caimento da ficha, ou não?
Passei os últimos dias em busca de uma resposta custando a entender que só o tempo me mostraria a mesma, mas cá estou eu de ficha caída e tocando a vida do jeito que der.
Uma sensação boa e que deve ser aproveitada enquanto viaja pela minha mente.

Cada dia encaro a vida de um jeito! Talvez a depressão tome conta do próximo post, mas espero que não!

Por essa noite é só...

Vi essa propaganda barata, mas gostei da música que se chama "Always a Woman" do Billy Joel: