terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mais um

Desde que começaram as férias, fico empurrando com a barriga a hora de arrumar meu quarto. Recolocar os livros no lugar, ajeitar as roupas, mudar os móveis de canto e jogar aquela papelada fora. Devo ter deixado estrategicamente pra hoje justamente porque é meu aniversário.
Acordei de um sono preguiçoso. Ninguém em casa. Já na cama, pensei "Putz! É hoje...".
Não ligo pro fato de estar ficando velho, afinal ainda sou muito novo pra isso. Vou começar a pensar seriamente nisso quando acordar em algum dia 28 de dezembro com uma dor terrível nas costas, sei lá, mas por enquanto ainda dá tempo de dizer que sou jovem e tenho de aproveitar.
Não que eu não ache que já deveria ter completado muitas coisas para a idade que tenho, mas vez ou outra bate a voz do "Calma! Ainda dá tempo!"
Enfim, tirei o dia para arrumar essas coisas e é claro, encontrei coisas que estavam guardadas no fundo da gaveta. Coisas passadas, mas que trazem sentimentos renovados.
Poeira assoprada, livros organizados (preciso de uma estante nova), DVDs separados e as cartas devolvidas ao fundo do armário e das caixas, encontro a famigerada lista de resoluções para 2010 que julguei perdida.
Não fiz muito, mas fiz algumas das coisas.
Engraçado como essa sensação de fim de ano vem pra mim em dobro! E o mais engraçado é que a depressão só bateu alguns dias atrás. Agora estou até que bem! Achei que ia escrever um post bonito cheio de reflexões para a vida, mas não... Só isso aqui!
Devo estar ficando velho!
Não farei um balanço do ano que passou nem promessas pro novo ano.
Lembro-me que teve algumas reviravoltas sentimentais que talvez vão ficar pra vida, mas isso não posso garantir. Prometo a mim mesmo que ano que vem vou tentar me dedicar mais aos quadrinhos. Fazer um curso de desenho, sei lá (essa era umas das resoluções pra 2010).

De qualaquer modo, essa noite vou sair pra beber com amigos e no fundo a gente sabe que é com eles que a gente pode sempre contar.
Rir, contar piadas, abraçar e esquecer por alguns minutos que tem um mundo terrível me esperando nesse mais um ano de vida. Mas ele há de ser bom, eu sei...

Ouvindo Oasis com "Don't Look Back In Anger"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A vida é cheia...









Ouvindo "Elephant Gun" com Beirut.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Validades

O casal estava abraçado na cama de solteiro. Tinham acabado de acordar e curtiam os momentos que precediam o dia. Ele disse ainda de olhos fechados:
"As coisas podiam ser assim pra sempre."
Ela concordou balançando levemente a cabeça virando-se para ele. Olhos abertos, começou a passar a mão nos cabelos dele.
"Por que você vai então?" ela arriscou.
"Não quero discutir isso de novo." ele reclamou.
"Desculpe..." ela disse, mas continuou "É que... Você não precisa ir agora, precisa?"
"Já está tudo acertado! Não posso perder essa oportunidade! Já falamos disso antes. Você mesmo concordou."
"Eu sei... Mas é que cada vez que a gente se vê parece que é uma vez menos e ao mesmo tempo que isso deixa as coisas intensas, também deixa tudo mais triste."
"Mas pense bem..." ele apoiou a cabeça no braço "E se as coisas só estão ficando mais intensas porque a gente sabe que vai acabar?"
"Não sei... Pode ser, mas tem o fato de a gente se gostar também, não?" ela indagou.
"Sim! Claro!" ele a beijou "Mas até antes de eu tomar minha decisão, as coisas andavam um tanto mornas, lembra?"
"Tudo bem, mas fazia tempo que estávamos juntos..."
"E agora não faz?" ele perguntou rindo.
"Faz, mas é diferente..." ela deitou no peito dele "Agora eu sei que vou te perder..."
Os dois se calaram. A garganta apertava. Ele quebrou o silêncio:
"Quando eu voltar, a gente se resolve!"
"Não!" ela virou para ele de novo "Eu te conheço! Não vai ser a mesma coisa! Você vai ter novas experiências e eu também! Estaremos em outra sintonia..."
"Pode ser..." ele parou para pensar "E só saberemos quando acontecer, certo?"
"É..." e virou de costas para esconder o choro, no entanto a voz entregou "Não é fácil viver as coisas com data de validade..."
"A ideia de manter até o último minuto foi sua!" ele protestou.
"E você topou!" ela defendeu.
"Porque gosto de você!"
O silêncio não era absoluto. Algum carro passava na rua, um pássaro piava e outros respodiam, o gato brincava na sala com uma embalagem e o dia ia ganhando o quarto. Ele falou:
"Já tivemos essa conversa antes e não resolvemos nada."
"Não se resolve o que já está resolvido, não é?" ela disse.
"É..." ele disse dando-lhe um beijo na nuca.
Em breve, dariam seu último beijo.

Ouvindo "Expiration Date" com Pomplamoose.