quarta-feira, 30 de maio de 2012

De mudança

A casa ia se enchendo de caixas com a mudança. Do banheirinho debaixo da escada ele gritou:
"Cacete! Esqueci o Hopper no banheiro!"
"Puta merda! É verdade!" ela gritou da cozinha enquanto fazia um chá logo antes de colocar o resto dos utensílios na caixa. Ao voltar para a sala, ele estava sentado em cima duma caixa grande e o quadro no chão se encostava preguiçoso na parede.
"Você fez pra mim?" ele perguntou.
"Desde quando você gosta de chá?"
Ele não respondeu, ao invés disso, fitou o quadro empoeirado. Ela sentou-se ao lado e quebrou o silêncio.
"E a gente nunca consertou aquele cantinho que trincou."
"É..." ele ainda pensativo "Esse quadro é tão bonito! Por que a gente colocou ele no banheirinho?"
Ela riu.
"Foi ideia sua! Você sempre brincou que esse é o banheiro pós-balada e esse quadro dava um ar charmoso pra noite."
"Você lembra de cada coisa!" ele disse sem tirar os olhos do quadro.
"Só do que acho importante..." e deu um gole do chá.
"Desde adolescente, eu sempre gostei dele..." ele falou e continuou "Essas pessoas na lanchonete com um ar meio sombrio, mas ao mesmo tempo sereno. A rua vazia meio que iluminada só pelo lugar..."
"Você é um romântico..." ela riu pegando na mão dele.
"Tem como não ser ao ver um quadro desses? O que será que eles estão pensando? Por que estão ali? O que estão bebendo? Dá pra ficar horas viajando..."
"Verdade..." disse ela perdida em pensamentos.
"E eu lembro que peguei esse quadro quando ajudava um amigo com a mudança dele. Ele estava se desfazendo de várias coisas e você sabe como eu gosto de uma tralha..."
"Bem sei..." ela concordou olhando ao redor.
"Eu jamais gastaria dinheiro com uma reprodução, mas quando ganho ou acho e me interesso, vem direto pra casa. Tem toda uma história, um contexto do porque veio parar nas minhas mãos, você entende?"
"Claro que entendo!" ela sorriu, ficou em silêncio por uns instantes e falou "O único problema é que às vezes a gente tem que deixar certas coisas..." ela suspirou "Certas coisas são cheias de passado e devem ficar por lá..."
"É... Eu sei..." ele desviou a atenção do quadro e agora olhava pela janela onde via uma garoa fina começando a cair "Mudanças sempre fazem a gente pensar na vida, não é?"
"Muito!" ela respondeu convicta sem desviar o olhar que ainda pairava sobre o quadro.
A campainha tocou e ela foi atender. Voltou.
"É o pessoal da mudança!" disse.
"Até que chegaram rápido!" ele falou.
"Tem certeza que não quer fazer tudo numa viagem só?" ela perguntou.
"Não! Fica tranquila! Já está tudo arranjado pra amanhã virem pegar minhas coisas! Além do mais não faz sentido atravessar a cidade." ele argumentou.
"Está certo então!"
"Sem problemas!" ele continuou sentado na caixa até que teve de se levantar para que a levassem para o caminhão.
Um tempo depois.
"Bom, vou indo! Qualquer coisa me liga!" ela disse o abraçando.
"Pode deixar!" ele retribuiu.
A noite caiu e ele resolveu sair pra beber alguma coisa. Voltou um pouco bêbado e foi correndo para o banheirinho. Ao passar pela sala olhou para o quadro iluminado pela luz da rua.
"Deixar certas coisas..." ele falou sozinho enquanto ajeitava uma cama improvisada com o papelão de umas caixas que sobraram da mudança.
Ainda sem saber o destino que daria ao quadro, adormeceu observando-o como quem adormece vendo um programa na TV.

Nighthawks (1942) por Edward Hopper

Ouvindo "For No One" dos Beatles na versão do Caetano.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O homem de bailarina e a saúde norte-americana

Acordo cedo depois de uma noite de insônia. O que afinal me impediu de dormir direito? Ansiedade com os projetos futuros? Preocupações financeiras? Afetivas? Acadêmicas?
Acordei com sono, mas com a promessa de um café forte que me manteria acordado durante a aula em que discutiríamos o governo Nixon e o filme "Rede de Intrigas" (1976) que aborda os jogos sujos de poder dentro das grandes corporações de TV em busca de audiência. A discussão e o café deixaram a desejar, mas o roteiro cheio de reviravoltas e as atuações excepcionais do filme de Sidney Lumet me mantiveram acordado, no entanto o que me chamou atenção foi outra coisa. Enquanto esperava meu café, assistia ao jornal matinal da NBC que faz a Ana Maria Braga parecer a seriedade do jornalismo em pessoa. Todos aqueles repórteres bem vestidos falando de assuntos completamente desnecessários e entrevistando os mais variados tipos sem o mínimo nexo. É tão ruim que chega a ser engraçado e não me surpreendi ao ver um homem de meia-idade tirando fotos dele mesmo vestindo apenas uma saia rosa de bailarina. "Mais uma besteira!" pensei, mas ao ver as fotos que passavam na tela enquanto o fotógrafo e a mulher eram entrevistados, percebi uma qualidade técnica tanto de composição quanto tratamento de imagem e por algum motivo aquele ponto rosa adornando o tiozinho gordinho no meio de paisagens inusitadas me chamou a atenção.
  
Four Trees ©2012 Bob Carey

Corn Field ©2012 Bob Carey


O tal gordinho se chama Bob Carey, um fotógrafo que desde 2003, quando descobriu que a mulher tinha câncer de mama, resolveu sair pelos Estados Unidos e pelo mundo fazendo autorretratos pouco convencionais como uma terapia que, em sua opinião, explora a fragilidade humana. É através desse humor sutil (ou escrachado?) que ele tira sorrisos das pacientes que, como sua mulher, lutam contra o câncer. Além disso, o Projeto Tutu (como é chamada a saia das bailarinas) arrecada fundos através do site para ajudar mulheres que não tem condições de pagar um plano de saúde que ajude a tratar a doença. Inocentemente, essa empreitada coloca em questão o sistema de saúde norte-americano que é completamente privado e deixa os cidadãos à mercê de planos caríssimos que às vezes não cobrem quase nada. "Não sei como ainda tem tanta gente viva nesse país?" brinquei uma vez com a mulher que cuida da minha papelada aqui na VCU depois de entregar meus documentos provando que tinha tomado todas as minhas vacinas que, falem o que quiserem do SUS, não peguei um centavo para tomá-las enquanto que na "América" qualquer injeçãozinha não sai por menos de US$50 (R$100). E essa mentalidade vai do hospital à Universidade. Recentemente, os republicanos vêm tentando aumentar os valores das faculdade (seja pública ou privada, a Universidade aqui é paga) e Mr. Obama está desesperado lutando contra isso pois afinal não quer perder os votos do jovens para as eleições de outubro.
Não me surpreendo com a indignação da classe média brasileira de ter de pagar tantos impostos e não ver retorno real e imediato, mas me surpreendo com a passividade com que muitos norte-americanos veem seus impostos serem catapultados para objetivos belicosos em nome da "liberdade" dos povos do oriente médio e não para terem um sistema de saúde e educacional gratuito ou pelo menos mais barato. Sem falar que por aqui quanto mais rico for o cidadão, menos ele paga imposto, coisa que os ricaços do Brasil de meu Deus tentam incorporar a todo custo justamente por interesses próprios.
Não quero aqui falar mal dos EUA e deixar a entender que na nossa República Federativa está tudo uma maravilha, mas sim argumentar que cada país tem suas vantagens e desvantagens e não é possível colocar na balança quem está melhor ou pior pois isso só cai numa discussão simplista que fica limitada aos almoços de domingo com aquele tio que ainda acha que no tempo da ditadura é que era bom.
De qualquer modo, é de uma paradoxo descabido ver o Brasilsão como a sexta maior economia do mundo enfrentando problemas que perduram por séculos, mas é também de uma tristeza só saber que um cidadão tirando fotos vestido de bailarina ajuda mais as mulheres com câncer de mama do seu país do que o próprio governo, mas nesse assunto, é claro, os entrevistadores da NBC não se atreveram a tocar e, se bobear, eles nem perceberam pois a mentalidade do "pagar pra ter" está tão impregnada na população que a maioria sequer a questiona e não há fraqueza maior de um povo do que o silêncio apático.


Parking Lot ©2012 Bob Carey

Mais fotos no site do projeto.

 Ouvindo David Bowie com "Young Americans"

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Garota, eu fui pra Califórnia...

Meio furada foi a viagem. Não a viagem em si, mas o pacote! Já desconfiei no começo pois o preço estava muito abaixo do normal. Brinquei com os amigos que no meio do tour iria aparecer um cara maluco com uma máscara e uma motosserra ou então caipiras geneticamente modificados pelos testes nucleares do governo no deserto sabotariam nosso ônibus e nos caçariam um por um. Nada disso aconteceu, mas também não foi mil maravilhas. A agência de viagem era chinesa e todo o trajeto era bilíngue. Nada contra os chineses! Alguns muito simpáticos! Tinha um que sempre me cumprimentava no elevador (ele podia estar muito bem me mandando à merda, mas eu sempre respondia com um sorriso). O problema é que todos viajavam com aquele objetivo de colocar o pé num canto, tirar um milhão de fotos, voltar pro ônibus, viajar mais dez horas, colocar o pé em outro canto por quinze minutos, voltar pro busão, voltar pro hotel, dormir e no outro dia a mesma coisa.
Isso me lembrou uma vez em que ouvi falar desses pacotes relâmpagos de turismo pela Europa. Em uma semana você visita uma porrada de cidades e volta cheio de fotos ao lado da Torre Eiffel e lembrancinhas pra tia Fátima no Brasil. A verdade é que nunca fui de viajar assim. Além dos pontos turísticos, também gosto de sentir a cidade, comer no restaurante onde os habitantes vão na hora do almoço em plena quarta-feira ou o melhor bar pro happy hour, essas coisas. 
Las Vegas, a cidade que menos me apeteceu, foi onde ficamos mais tempo. Todas aquelas máquinas de jogo, aquele povo fumando desesperado, todo mundo querendo viver uma vida no melhor estilo "Se Beber Não Case" e um pouco mais. Fiquei meio sufocado naquela cidade erguida no meio do deserto cheia de luzes  vibrantes e coloridas. Como estava em grupo grande, seguia as decisões da maioria e não queria bancar o chatão. Sendo assim tentei tirar proveito da situação. Andamos de limusine, bebemos coquetéis, jogamos um pouco e quando eu quis ficar um pouco mais na parte antiga da cidade (mais charmosa sem os edifícios e hotéis enormes) a galera me arrastou pruma balada no Bellagio Hotel. Definitivamente não é uma cidade para se ir sozinho!
Senti meio que a mesma coisa em Hollywood. Tudo muito artificial. Em algum momento sugeriram uma visita à Rodeo Drive, a Oscar Freire de Los Angeles onde a Julia Roberts fez as compras em "Uma Linda Mulher" e eu querendo visitar o centro da cidade fui logo dizendo "Pra que ver uma rua com produtos que nunca poderemos comprar?" ao que todo mundo respondeu com um silêncio resignado. No final passamos pela rua e fomos para Santa Monica, o destino final da Rota 66 e eu fiquei devendo uma visita ao centro de Los Angeles.
Queria ter ficado mais tempo em São Francisco, mas a paranoia de ver o máximo de coisas em menos tempo não me permitiu. A impressão que tive foi de uma Nova York mais preguiçosa, mais de buenas com a vida, tipo Rio pra São Paulo.
Com certeza os pontos altos foram as visitas ao Grand Canyon e ao Yosemite Valley, mas que ficaram resumidas em poucas horas de passeio e eu nem consegui dar um pulo na cachoeira do Yosemite, mas algumas fotos saíram bacanas. Em breve posto tudo na minha página do Flickr.
De qualquer modo, tirando os gastos inesperados (gorjetas para o guia e o motorista e passeios não inclusos no tour) a viagem foi até que positiva. Pelo menos posso dizer que conheci esses lugares e quando estiver numa roda de bar vou poder falar "Uma vez quando estava num barco em São Francisco..." só pra parecer mais descolado e viajado.

É isso! De volta à vida real! O curso de verão que eu iria fazer sobre diretores foi cancelado por falta de alunos então me matriculei num outro sobre História no cinema na década de setenta. A gente basicamente assiste e discute um filme todo dia baseando-se nas leituras e no contexto histórico. Nada grave! E daqui um mês começa a labuta brava! Que a força esteja comigo!

Muitos amigos reclamam que eu não tiro muitas fotos de turista então fiz um seleção de algumas da viagem pegando do cartão da câmera e dos álbuns alheios no Facebook! Não editei nem nada! Estão do jeito que foram tiradas! Aproveitem!

PS: Se você ainda não viu a versão em quadrinhos desse relato, clique aqui!

Eu de turista no Grand Canyon
Eu tentando cometer suicídio no Grand Canyon

Eu atrapalhando uma foto no Grand Canyon
Eu pedindo arrego em Las Vegas

Eu num buffet chinês no estilo "coma até morrer" chupando laranja pra ajudar na digestão (dica da minha mãe)

Num Outlet da Tommy Hilfiger lotado de turistas e produtos chineses
Eu e o grupo feliz na piscina do hotel (detalhe para a criançada ao fundo causando na nossa foto)

Autorretrato nos óculos do Niki (o austríaco que me arranjou o emprego na Inglaterra e consequentemente meu futuro chefe)

Eu esquentando a mulherada no barco na baía de São Francisco

Eu em Santa Monica fazendo a minha famosa dança do robô
Eu na calçada da fama junto com o Sr. Spock

Eu e a mulherada

Eu no Yosemite Valley tirando foto de tudo menos da porcaria da cachoeira

Eu em Las Vegas protestando ao não apontar para o mundo das ideias
E finalmente eu no glamour de Hollywood


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Do outro lado + Até breve!

Caros, amanhã parto para o outro lado dos Estados Unidos. Junto com meus queridos amigos intercambistas, voaremos para a Califórnia e lá faremos um tour de busão de uma semana pelos pontos turísticos mais manjados. É lá também que cada um seguirá seu rumo para seu país de origem enquanto o cidadão aqui volta para Richmond primeiro prum curso de verão sobre Truffaut, Fellini, Bresson, Howard Hawks e Tarantino (Êta, vida boa!) e depois troco de cadeira e começo a dar aulas de História em português para alunos de Ensino Médio até o meio de julho como falei no último post. Parto então para o velho continente pra lecionar mais um pouco por lá e só volto pro Brasil Baronil no começo de setembro se tudo correr como planejado.

Não tive tempo de editar novas fotos nem de escrever sobre o show da Feist em Nova York pois essa semana foi tensa! As provas finais foram tranquilas, mas o que pegou mesmo foi finalizar o documentário e um trabalho de pesquisa pra minha aula de Origens do Modernismo, mas como minha mãe sempre diz, no final tudo dá certo e mais uma vez a sabedoria materna acertou em cheio. No momento em que escrevo, meu roommate está me apressando para eu terminar de empacotar tudo para que possamos deixar o dormitório e entregar as chaves sem problemas. Estranhamente, minha mala parece menor do que quando cheguei, mas tenho certeza de que darei um jeito de encaixar tudo.

É isso! Coloco abaixo os links pro meu documentário finalizado e também as cenas deletadas.
O tema engloba a relação dos alunos de intercâmbio com a cultura americana e também entre eles.

Digam o que acham!
Infelizmente está tudo em inglês e além disso um monte de estrangeiro falando com sotaque pesado, mas nada grave!


 O documentário:


As cenas deletadas:


É isso! Assim que sair do dormitório amanhã, vou me desconectar geral e deixar facebook, e-mails e qualquer coisa eletrônica de lado por uma semana (nem vou levar meu computador pra não ter recaídas) e só vou curtir, tirar fotos e ver a banda passar!

Abraços e até breve!


Ouvindo "Mistério do Planeta" dos Novos Baianos.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Adeus, América? Ainda não...

É verdade quando dizem que depois de quatro meses você já vai se acostumando à comida, às pessoas e ao lugar em que está vivendo e é verdade também quando dizem que é justamente nessa hora em que você se sente em casa é que chega a hora de voltar. Esse era meu plano pois as aulas acabam dia 12 de Maio, dai vou dar uma viajada e voltaria para o Brasil no começo de Junho. O que não estava nos planos é que dia 21 de Maio eu volto para a VCU para fazer um curso de verão sobre alguns diretores fundamentais na história do cinema que vai até dia 8 de Junho (aniversário da minha querida irmã Camila que costumava dividir o apartamento comigo em terras garoísticas). Mais fora dos planos ainda foi o emprego que arranjei aqui na universidade que vai durar entre o dia 21 de Junho até o dia 14 de Julho. A ideia é ensinar português com aulas de História para alunos de Ensino Médio que vão participar desse programa também de verão chamado Startalk Academy. Estou bastante empolgado pois além da experiência pessoal, acredito que isso fará um bem danado pro meu currículo. 
Até ai eu já estava super feliz e satisfeito até que encontrei um intercambista austríaco cujo os pais são donos de uma escola de inglês que proporciona cursos de verão na Inglaterra para a molecada da Áustria. Enquanto conversávamos ele mencionou que o programa precisa desesperadamente de professores homens independente da nacionalidade, contanto que tenham um inglês minimamente decente.  Foi assim que arranjei mais um emprego de verão na terra da Rainha que vai durar do dia dia primeiro até 18 de Agosto. Acho que não vai doer fazer um mochilão the flash pela Europa pra visitar alguns cantos e voltar correndo no começo de setembro pra terrinha. 
Estava guardando pra usar como despedida da terra do Tio Sam a clássica canção "Adeus, América" interpretada pelo João Gilberto que diz "Não posso mais! Que saudade do Brasil, ai que vontade que eu tenho de voltar. Adeus, América! Essa terra é muito boa, mas não posso ficar porque o samba mandou me chamar" mas agora que vou pra ilha de Shakespeare, a terra dos Beatles, o lar do bruxo mais famoso do mundo, a música não vai caber muito bem.

Pois bem... Continuou por aqui até o meio de Julho escrevendo, desenhando e fotografando minhas impressões e outras cositas más sempre que bater uma inspiração. Aliás, nesse final de semana volto pra New York pra ver um show da Feist e aproveito pra dar mais uma passeada pela cidade tão romantizada por alguns cineastas.
 
Vista de New York do topo do Rockfeller Center


Abraços e até breve!

Ouvindo The Beatles com "Get Back"