terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dos jovens

Fomos apresentados por um amigo em comum. Estávamos todos num bar e quando eu vi aqueles olhos grandes e aqueles cabelos, eu quase perdi o meu fôlego. Dizem que a paixão bate sem aviso prévio. Chega descontrolada e nunca é igual à outra. Você já pode ter se apaixonado, mas com cada pessoa é diferente e foi assim com ela. Tentando não parecer um bobo, fiquei na minha, posando de calado, coisa que meus amigos estranharam, mas ela não porque pouco me conhecia.
"Você vai gostar dela, mas cuidado que acho que ela tem namorado." meu amigo disse.
"Besteira! Estou tranquilo." tinha falado uns dias antes de topar com aquele sorriso que me calou.
"Ela é mais velha também!" meu amigo continuou.
"Já falei que não estou preocupado!" eu disse sem me dar conta do futuro que me aguardava.
Falamos pouco naquele dia e desconfio que não deixei impressão alguma. Coisa estranha, eu pensei, logo eu que sempre que caía nessa de amor logo racionalizava tudo para que a queda não fosse tão dura.
Ao final da noite, meu amigo veio "E ai? Gostou dela?"
"De quem? Sua amiga? É... Simpática!"
"Acho que ela gostou de você!" ele disse meio que brincando.
"Eu mal falei com ela!" retruquei.
"Ela pediu pra chamar você da próxima vez que sairmos!"
Dei um sorriso sem graça e brinquei que estava com sorte, mas por dentro era só palpitação.
Encontramo-nos de novo numa outra ocasião e ela veio sentar do meu lado. Falamos de muita coisa: Cinema, literatura, futebol, relacionamentos passados e até das tatuagens que eu nunca fiz e das dela que eram discretamente escondidas pela alça do vestido. No final da noite, quase todos já tinham ido embora, mas nós ficamos ali no canto como dois amigos que não se viam há muito tempo. Foi pouca ou quase nula a estratégia. Num momento a gente se olhou e sabíamos o que devíamos fazer.
E foi tudo tão puro e tão intenso, mas ainda éramos jovens.


Cena de "Blue Valentine" (2010)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Da destruição

Não foi por maldade nem por bondade. Foi só a vida que disse pra gente ir em frente. Não em frente no sentido evolutivo, mas em frente no sentido de qualquer lado, qualquer um, menos para o mesmo de que viemos. Não precisa haver avanço, mas o retrocesso é condenável. Que vá para o lado como um pequeno siri ou para frente como um faminto tubarão, mas nunca pra trás pois é lá que encontraremos a destruição causada por nós mesmos.
Aprender com os erros e procurar futilmente não mais cometê-los.
É mais ou menos assim que funciona a vida.

"Angelus Novus" de Paul Klee


Ouvindo "I Found A Reason" com Cat Power.