terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Fui a uma festa de aniversário semana passada (ou) O cotidiano em 1000 caracteres com espaço

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Fui a uma festa de aniversário semana passada. Dessas no apartamento da aniversariante que, por alguma magia, seja classe ou simpatia, conhece vários amigos meus de universos bem distintos. Estava meio alto por conta dum outro evento. Ao longo da festa me deparo com um cara que conheço mais pelas postagens virtuais. Sabia que ele tinha uma namorada de séculos, que conheci antes dele, mas onde estava ela? Olho pros lados e vejo uma moça parecida. Deve ser ela. Logo esqueço.
Mais tarde, mais bêbado, vejo os dois no mesmo ambiente. Ele conversa com alguém e ela com uma outra pessoa. Olho para ela num apelo do modo “Oi, lembra de mim?“ Ela percebe meu olhar insistente e me encara. Faço um gesto de “Tudo bem?“ e ela responde sem entender muito bem. Saio de cena prevendo o pior.
Na saída, vou me despedir dele.
“E sua namorada?”
“Terminamos...”
No meu mundo, ela conhecia a aniversariante.
“Mas... Ela está aqui?“  pergunto.
“Ela?” espantado “Não...” completa.
Saio de cena constrangido e cambaleante.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Exame médico hoje (ou) O cotidiano em 1000 caracteres com espaço

Exame médico hoje. Nado? Volto para a bicicleta? Esperava um médico e veio uma médica.
"Tenho um exame marcado para as 18h."
"O doutor já vai chegar, pode preencher o anamnese."
Não é "a" anamnese?
Preencho, mas o doutor não chega. Quem chega é a doutora.
"Pode entrar."
Perguntas típicas.
Não, não... Não.
"Sente aqui por favor... Respira fundo e solta"
Ela ouve minha respiração.
O que será que os médicos ouvem pelo estetoscópio?
"De novo..."
Respiro fundo... E solto.
No que ela pensa?
"Deite-se por favor."
Deito.
"Pode ir um pouquinho pro lado?"
Posso. Vou.
Ela mede minha pressão.
"Doze por oito."
Quebro o silêncio:
"Isso é bom, não?"
Ela ri.
"Sim."
Gelo quebrado.
"Alguém próximo de você já infartou?"
Gelo reconstituído.
"Família?"
"Sim." é claro.
"Não..."
Anota uma ou outra coisa.
"Essas duas fichas ficam comigo, essa fica com você."
Folha em branco que começa a ser preenchida.
"Letra bonita." penso, mas não digo.
Agradeço e me levanto para ir embora.
"Pode fechar a porta?"
Eu fecho.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Tem essa menina que eu sigo no Instagram (ou) O cotidiano em 1000 caracteres com espaço

Tem essa menina que eu sigo no Instagram. Dessas pessoas que você vai seguindo e não lembra mais quem começou a seguir quem. Vegetariana, quiçá vegana, sempre com fotos nos picos veegan da cidade. Tatuagens, bonita, parece alta. Tipo paquita. Paquita com tatuagens. Com tatuagens e vegana. E amante dos animais. Mora perto de mim (ou trabalha). Sempre com fotos de lugares perto de casa. Não sei o que faz da vida, mas tem muitas tatuagens, não come nada que tenha um rosto. Deve ser alta e, parece, tem um namorado. Numa foto dengosa dela o beijando numa piscina, ele comentou tentando retribuir: Eu não mereço você.
Péssimo.
Ela não é de postar muitas fotos com ele. Posta mais das tatuagens, dos lugares onde come e perto da minha casa.
Acho que dia desses, saindo do prédio, topei com ela. Ia lhe chamar pelo nome, como velhos conhecidos (não somos?) mas a prudência chamou primeiro. Não seria louco?
Volta e meia ela curte uma foto minha. Não deve tergiversar tanto quanto eu.
Deve ser o verão.